Segunda-feira, 25 de Maio de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 24 de maio de 2026
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesse domingo (24) que um eventual acordo com o Irã “ainda não foi totalmente negociado” e rebateu críticas ao processo, dizendo que ninguém viu nem sabe do que se trata o entendimento em discussão.
A declaração foi publicada no Truth Social em meio a relatos de avanço nas negociações entre Washington e Teerã sobre a reabertura do Estreito de Ormuz e o programa nuclear iraniano.
Mais cedo, o próprio Trump já havia dito que as conversas com o Irã avançavam de forma “ordenada e construtiva”, mas que orientou seus representantes a não se apressarem. Na mesma linha, afirmou que o bloqueio americano contra o Irã seguirá “em pleno vigor” até que um acordo seja alcançado, certificado e assinado.
A nova postagem reforça esse tom de cautela e sinaliza que o entendimento ainda está longe de estar fechado, segundo o próprio presidente.
Negociações
As negociações giram em torno de dois eixos centrais: a reabertura do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo exportado no mundo e parcela relevante do comércio de fertilizantes, fechado desde o início do conflito entre EUA, Israel e Irã, e o programa nuclear iraniano, com Washington exigindo que Teerã elimine seu estoque de urânio altamente enriquecido.
O New York Times informou nesse domingo que os dois países teriam chegado a um entendimento “em princípio”, mas que o texto ainda não foi formalmente assinado e depende de aprovação final de ambos os lados.
Fontes iranianas, porém, indicaram que o formato atual prevê apenas a abertura de negociações sobre o tema nuclear num prazo de 30 a 60 dias, e não um acordo definitivo.
“Se eu fizer um acordo com o Irã, será um acordo bom e justo, não como aquele feito por (Barack) Obama, que deu ao Irã enormes quantias em dinheiro e um caminho livre e desimpedido para a obtenção de armas nucleares”, escreveu Trump.
“Nosso acordo é exatamente o oposto, mas ninguém o viu, nem sabe do que se trata. Ele ainda nem foi totalmente negociado”, acrescentou.
O presidente americano também atacou os críticos das tratativas. “Não deem ouvidos aos perdedores, que criticam algo que desconhecem completamente”, afirmou, acrescentando que, ao contrário de seus antecessores, “não faz maus acordos”.
Ainda nesse domingo, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou em declaração pública que qualquer acordo final com o Irã deve “eliminar o perigo nuclear”, com desmonte das instalações de enriquecimento e retirada do material enriquecido do território iraniano.
Do lado iraniano, relatos divulgados ao longo do dia por veículos especializados indicam resistência a abrir mão de linhas vermelhas e insistência em contrapartidas financeiras e políticas para que as negociações avancem.
O acordo em negociação pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para encerrar a guerra com o Irã provocou críticas de parte dos republicanos, que defendem uma postura mais rígida contra Teerã e temem que uma oportunidade de conter o regime iraniano seja desperdiçada.
O senador Ted Cruz, republicano do Texas, afirmou que a decisão de atacar o Irã foi a mais consequencial do segundo mandato de Trump e que o presidente não deveria recuar agora.
O senador Lindsey Graham, republicano da Carolina do Sul e próximo de Trump, criticou qualquer acordo que deixe o Irã em posição de força na região e mantenha sua capacidade de atingir infraestrutura petrolífera no Golfo. O senador Roger Wicker, republicano do Mississippi e presidente do Comitê de Forças Armadas do Senado, questionou a proposta de cessar-fogo de 60 dias.
Trump descartou as críticas e disse que o acordo ainda não está “nem totalmente negociado”. “Não escutem os perdedores, que criticam algo sobre o qual não sabem nada”, escreveu em sua plataforma.
“Ambos os lados devem levar o tempo necessário e fazer isso direito. Não pode haver erros!”, disse Trump. Ele acrescentou que o bloqueio militar dos EUA a portos iranianos seguirá “em pleno vigor e efeito até que um acordo seja alcançado, certificado e assinado”.
Apoio
A proposta também recebeu apoio. O senador Rand Paul, do Kentucky, defendeu a negociação. “A guerra praticamente sempre termina com negociações”, escreveu no X. “Os críticos das negociações de paz do presidente Trump deveriam dar a ele espaço para encontrar uma solução que coloque os interesses americanos em primeiro lugar.”
Segundo autoridades regionais ouvidas pela Associated Press no domingo, a proposta prevê o fim da guerra, a reabertura do Estreito de Ormuz e a entrega, pelo Irã, de seu estoque de urânio altamente enriquecido. Detalhes e prazos seriam definidos em uma janela posterior de 60 dias. (Com informações de O Estado de S. Paulo)