Terça-feira, 17 de Maio de 2022

Home Economia Uma brasileira de 32 anos será chefe global na Fiat

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Quando criança, Juliana Coelho gostava de números. Por isso, decidiu estudar engenharia. Escolheu especialização em química por saber que as chances de um engenheiro deslanchar na carreira em Pernambuco se limitavam ao polo petroquímico. Mas quando ela chegou ao fim do penúltimo ano da faculdade, em 2010, surgiu um fato novo, que, posteriormente, diversificaria a atividade econômica da região e mudaria completamente a trajetória profissional imaginada pela jovem pernambucana. Em dezembro daquele ano, a Fiat anunciou a construção de uma fábrica no Estado.

Atualmente, aos 32 anos, a engenheira está em viagem pela Europa para conhecer algumas das 92 fábricas que compõem a Stellantis, empresa que nasceu da fusão entre as marcas dos grupos Fiat, Chrysler, Peugeot e Citroën e que este mês completou um ano. Coelho acaba de assumir um dos mais importantes cargos da área de manufatura da nova super montadora. A pernambucana é a nova chefe mundial do chamado modo de produção Stellantis, que extrairá o melhor dos métodos que que cada uma dessas marcas desenvolveu para fabricar veículos ao longo de histórias centenárias.

Trajetória – Já faz nove anos que a engenheira formada pela Universidade Católica de Pernambuco, com pós-graduação em Petróleo e Gás, passou na seleção de trainees da fábrica que a Fiat começava a construir em Goiana, a 64 quilômetros de Recife e um pouco menos de Olinda. Mas sua carreira deu uma guinada nos últimos três anos, período em que a Fiat também passou por uma grande transformação na fusão com outras montadoras.

Em 2018, a Fiat anunciou a aquisição da Chrysler. Os italianos já tinham decidido investir numa nova fábrica em Goiana depois que o governo federal prorrogou incentivos fiscais no Nordeste. Com a fusão das marcas, o local foi escolhido para receber uma moderna fábrica da linha Jeep. Mais tarde, do casamento com os franceses surgiu a Stellantis.

Atenta ao sonho que a neta começou a acalentar desde que se soube que uma montadora iria para Pernambuco, dona Miriam, avó materna da recém-formada, ficava de olho nas notícias, fartamente divulgadas na imprensa local, sobre contratações. “Parece que já chamaram uma turma. Será que você não está na lista?” Sim, estava. Sua neta e mais 39 engenheiros recém-formados eram a primeira turma de trainees da primeira fábrica de veículos de Pernambuco.

Mas quando eles foram contratados faltava a fábrica. O imenso terreno, onde até então havia um canavial, não passava, naquele momento, de um canteiro de obras. A turma foi, então, enviada para a Itália e Sérvia, para aprender nas fábricas de lá.O sonho da jovem que sempre gostou de carros começava a se tornar realidade. Seu interesse por automóveis surgiu quando criança. Um tio tinha uma locadora e oferecia a frota para os parentes passearem.

Depois da temporada de treinamento nas fábricas europeias, e com a construção em Goiana já concluída, Coelho começou em seu primeiro emprego. A formação em química a direcionou para a área de pintura dos carros. Era curiosa, tinha vontade de aprender, mas também de ensinar. Esse dom acabou por envolvê-la na área de contratação de pessoal. Tornou-se uma loíder de área e mais tarde, supervisora.

A engenheira começou a perceber que ela e tantas outras pessoas de seu Estado que se candidatavam às vagas da nova fábrica tinham em comum o fato de aqueles serem seus primeiros empregos. E também tanto quanto ela nenhum deles sabia como era produzir carros. Mas notava que todos poderiam aprender rapidamente. “As oportunidades surgem não só para quem tem bagagem, mas para quem está disposto a aprender”, destaca.

Com o passar do tempo, a fábrica de Goiana precisou ser expandida. Paralelamente, Coelho construía uma carreira ascendente na companhia.

Uma nova promoção, no entanto, a levou de volta para a terra natal. Ela foi escalada para dirigir toda a fábrica, que, àquela altura já tinha praticamente o mesmo tamanho de hoje, com 13,5 mil funcionários e 16 fornecedores dentro do parque industrial. Foi a primeira mulher a assumir esse cargo na companhia.

Há pouco mais de dois meses, a pernambucana foi chamada para uma série de entrevistas dentro da companhia. Os questionamentos sugeriam que ela passava por uma sigilosa seleção. Tudo veio à tona quando, em dezembro, ela foi convidada para assumir o comando do novo sistema de produção da Stellantis.

O novo trabalho é um grande desafio. Cada uma das marcas da montadora desenvolveu, ao longo de décadas, seus próprios meios de produzir veículos. A partir do que cada um oferece de melhor será construído um modelo próprio da Stellantis. A brasileira vai comandar esse processo, que envolve, também, as sinergias que a direção mundial da companhia tem perseguido desde o primeiro dia da criação da empresa. No novo cargo, Coelho diz que estará sempre muito próxima das fábricas do grupo em todo o mundo.

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