Sexta-feira, 24 de Maio de 2024

Home em foco Universidade de Lisboa investiga denúncia da prática de xenofobia contra estudantes brasileiros

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Quatro anos depois de ser o palco de um episódio em que estudantes portugueses ofereciam pedras para serem atiradas contra brasileiros, a Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa (UL), em Portugal, anunciou ter aberto um processo disciplinar para investigar novas denúncias de xenofobia.

Durante uma reunião estudantil em 20 de abril, um aluno português criticou colegas brasileiros chamando-os de “burros” e dizendo que “de fato mereciam levar com uma pedra”, em referência ao caso de 2019.

Durante uma Reunião Geral dos Estudantes, um grupo de brasileiros estava redigindo uma carta para ser entregue ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que chegaria à capital portuguesa no dia 22 de abril. O estudante Hélder Semedo, que também exerce um cargo eletivo de conselheiro da UL, zombou do conteúdo do documento e da forma como se dirigiam ao presidente brasileiro.

As falas dele, contudo, foram inicialmente excluídas da ata da reunião. “O fato de as falas não constarem na ata dificultava a responsabilização do aluno. Iria ser um apagamento das violências”, afirma Carlos Diego Souza, brasileiro que faz mestrado na Faculdade de Direito. Ao saber do caso, a comunidade de estudantes brasileiros se organizou e, na reunião geral seguinte, compareceu em peso, conseguindo aprovar a correção da ata do dia 20 de abril.

Dessa forma, agora as declarações estão oficialmente registradas. Consta que Semedo teria pedido a palavra e ironizado o conteúdo da carta: “Lula, é só para dizer que Portugal é um país péssimo, que somos super maltratados e mesmo assim somos tão burros que continuamos a ir para lá”. Teria dito ainda que “as pessoas que escreveram isto acho que de facto mereciam levar com uma pedra”.

Mesmo com a ata corrigida e a abertura do processo disciplinar, estudantes brasileiros estão organizando uma manifestação contra a xenofobia na frente da faculdade para esta terça-feira (15). “Estamos buscando uma universidade melhor, mais inclusiva. Queremos cobrar das instituições que haja um protocolo contra a xenofobia, que sejam tomadas medidas efetivas”, diz o brasileiro Pedro Marangoni, aluno de mestrado e um dos organizadores do protesto.

Nota

Em nota, a Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa afirmou que “repudia e não tolera qualquer situação de discriminação” e informou que a atitude de Semedo será investigada. “Tendo tomado conhecimento do sucedido, a FDUL decidiu avançar no imediato com um processo disciplinar ao referido aluno”, disse a faculdade. “O ambiente multicultural que se vive na instituição, proporcionado pela presença de alunos e professores das mais diversas geografias, é uma das suas mais-valias.”

Desde 2014, quando Portugal aprovou uma lei que facilita a entrada de estudantes internacionais (e que permite a cobrança de mensalidades mais elevadas para eles em instituições públicas), o número de brasileiros nas universidades lusas disparou.

Os brasileiros são a maior comunidade internacional no ensino superior português. Na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, cerca de 20% dos alunos são cidadãos do Brasil. No doutorado, eles representam 58% dos inscritos.

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