Terça-feira, 23 de Abril de 2024

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A descriminalização da maconha no Uruguai ajudou a tirar os narcotraficantes do mercado, mas uma oferta insuficiente e de baixa potência nas farmácias leva a maioria dos consumidores a recorrerem ao mercado paralelo. Em 2013, o Uruguai fez história ao se tornar o primeiro país do mundo a legalizar e regulamentar a produção e o consumo de cannabis, uma medida que começou a ser aplicada há pouco mais de cinco anos.

Impulsionada pelo então presidente José Mujica, a medida foi apresentada como uma alternativa à fracassada “guerra contra as drogas” e significou mais de US$ 20 milhões para a economia uruguaia, que antes ficavam nas mãos dos narcotraficantes. Também permitiu o surgimento de uma incipiente indústria exportadora de maconha, que cresce ano a ano.

Segundo dados do portal Uruguay XXI, em 2020 dobraram as exportações em relação ao ano anterior, chegando a US$ 7,3 milhões. Em 2021, a receita foi de US$ 8,1 milhões, e no primeiro semestre de 2022, de US$ 4,4 milhões.

No momento, as exportações se concentram em flores para uso medicinal e têm como principais destinos Estados Unidos, Suíça, Alemanha, Portugal, Israel, Argentina e Brasil.

Pioneirismo

Apesar de ter sido pioneiro nessa indústria, o Uruguai ainda exporta menos do que outros concorrentes na América Latina, como Chile, que em 2020 faturou US$ 59 milhões, Peru (US$ 40 milhões) e Colômbia (US$ 37 milhões), segundo um informe da Câmara de Comércio de Quito.

A legislação implementou três mecanismos para adquirir maconha: o autocultivo, os clubes canábicos e a compra em farmácias, todos sob regulamentação estatal e restritos a quem mora no país, embora o Parlamento esteja considerando abrir o mercado aos turistas.

— A regulamentação da cannabis foi mais eficaz do que a repressão no que se refere ao impacto no narcotráfico — explica Mercedes Ponce de León, diretora do Cannabis Business Hub e da ExpoCannabis Uruguay.

Variedade mais forte

O governo planeja agora vender no fim do ano uma cannabis mais forte nas farmácias para atrair um número maior de consumidores recreativos ao mercado formal.

— Há alguns usuários que demandam um maior percentual de THC ou mais variedade, e isso conspira contra a eficácia do sistema porque determina que alguns usuários que poderiam comprar em farmácias busquem outras opções do mercado regulado ou no mercado paralelo — diz Daniel Radío, secretário-geral da Junta Nacional de Drogas.

Apenas 27% das pessoas que compram cannabis o fazem de forma legal, segundo um estudo publicado pelo Instituto de Regulação e Controle de Cannabis (IRCCA), que compila os dados anuais de 2021. Este percentual corresponde às pessoas registradas em alguma das três opções do mercado regulado.

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