Quarta-feira, 14 de Janeiro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 14 de janeiro de 2026
A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) apresentou parecer favorável sobre a segurança e a eficácia da vacina contra a dengue produzida pelo Instituto Butantan. Com a decisão, o Ministério da Saúde dará início ao processo de inclusão do imunizante no calendário nacional do Sistema Único de Saúde (SUS).
Além de ser o primeiro imunizante desenvolvido integralmente no país, a nova vacina será aplicada em dose única, característica que a diferencia de outras opções disponíveis no mundo.
Desenvolvida com tecnologia de vírus vivo atenuado, método já utilizado em diversas vacinas adotadas no Brasil, a candidata apresentou eficácia global de 74,4% na população de 12 a 59 anos. O índice indica que cerca de 74% dos casos da doença foram evitados entre pessoas vacinadas.
A Anvisa aprovou o uso da vacina contra a dengue para pessoas na faixa etária de 12 a 59 anos. Esse público poderá ser ampliado pelo Instituto Butantan após a conclusão de novos estudos clínicos. A expectativa é expandir o acesso ao imunizante a partir de 2026.
A produção da vacina foi viabilizada por meio de uma parceria articulada pelo Ministério da Saúde com a empresa chinesa WuXi Vaccines, reforçando a estratégia nacional de inovação em imunobiológicos, com transferência de tecnologia e desenvolvimento conjunto.
Com proteção contra os quatro sorotipos do vírus em dose única, o imunizante representa um avanço científico com potencial para fortalecer o enfrentamento da dengue no país.
Atualmente, o Ministério da Saúde distribui vacinas importadas para 2,7 mil municípios. Desde o início da estratégia, mais de 7,4 milhões de doses já foram aplicadas no público prioritário. Para 2026, a pasta garantiu 9 milhões de doses do imunizante utilizado atualmente, que exige duas aplicações e é destinado a crianças e adolescentes de 10 a 14 anos. Outras 9 milhões de doses estão previstas para 2027.
Cenário epidemiológico
Apesar da redução de 75% nos casos de dengue em 2025, em comparação com 2024, o Ministério da Saúde reforça que as ações de combate ao mosquito Aedes aegypti devem ser mantidas em todo o país.
Até outubro deste ano, o Brasil registrou 1,6 milhão de casos prováveis de dengue, queda de 75% em relação ao mesmo período de 2024. A maior concentração de casos ocorre em São Paulo (55%), seguido por Minas Gerais (9,8%), Paraná (6,6%), Goiás (5,9%) e Rio Grande do Sul (5,2%).
Em relação aos óbitos, que somaram 1,6 mil até outubro, também houve redução de 72% na comparação anual. São Paulo concentra a maior parte das mortes (64,5%), seguido por Paraná (8,3%), Goiás (5,5%), Minas Gerais (8%) e Rio Grande do Sul (3%).