Quinta-feira, 26 de Maio de 2022

Home em foco Vacinas são seguras e protegem contra casos graves de infecção pela variante ômicron, diferentemente do que diz negacionista americano

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Grupos e políticos antivacinas têm compartilhado nas redes sociais um vídeo do negacionista norte-americano Robert Malone. Durante discurso em Washington, nos Estados Unidos, ele afirma que as vacinas não servem para combater a variante ômicron. Mas isso não é verdade.

Embora as evidências disponíveis até o momento indiquem que a maioria das vacinas não consegue impedir a infecção com a nova cepa — que é altamente contagiosa –, os imunizantes são eficientes em evitar casos graves da covid.

Um dia antes do discurso de Malone, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA publicou estudo comprovando que as doses de reforço das vacinas tiveram 81% de efetividade em evitar hospitalizações depois que a ômicron se tornou predominante no país.

Malone afirma ainda que as vacinas não são “completamente seguras” e que a “natureza completa dos riscos” permanece desconhecida. Isso também não é verdadeiro, uma vez que os imunizantes passam por diversos testes de segurança e continuam sendo monitoradas para verificação de possíveis eventos adversos. No Brasil, Ministério da Saúde, Anvisa e secretarias estaduais e municipais de Saúde desempenham essa vigilância e divulgam os resultados.

No vídeo, o cientista fala a milhares de manifestantes em Washington, durante protesto contra obrigatoriedade da vacina. A gravação é o recorte de uma transmissão do programa Special Report, da Fox News.

Em sua fala, Malone diz que as vacinas foram projetadas para a primeira cepa de coronavírus encontrada em Wuhan na China — e que por isso elas não funcionariam contra a ômicron.

O presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Juarez Cunha, explica que de fato as vacinas foram desenhadas com base no vírus original. No entanto, já se esperava o surgimento de outras variantes, e cientistas continuaram a monitorar a eficácia da vacina diante das modificações genéticas do Sars-CoV-2.

“Os resultados que temos desde lá (o início da vacinação) estão sendo supervisionados”, explicou Cunha. “Tivemos uma queda de proteção para 80% (com a ômicron) e sabemos que não necessariamente se evita infecção, mas há uma grande redução de gravidade”.

Juarez Cunha ressalta que a maioria das pessoas internadas não estão com o esquema vacinal completo. Na terça (25), a Secretaria de Saúde do Distrito Federal informou que a taxa de ocupação de leitos de UTI para tratamento de covid está em 100% e que 90% são de pessoas não vacinadas ou com ciclo vacinal incompleto.

No Hospital Emílio Ribas, unidade de referência em São Paulo, situação semelhante: 76% dos internados em 16 de janeiro não estavam vacinados ou ainda não tinham tomado a segunda dose ou dose de reforço.

No Amazonas, a Secretaria de Saúde também comunicou que 77% das pessoas internadas em leitos públicos e privados ainda não estavam completamente vacinadas. Esta realidade se repete em outros estados e municípios brasileiros.

Imunidade natural ou da vacina

Malone diz ainda que as vacinas não são seguras e que após infecção pela covid os sistemas imunológicos “se desenvolvem” e criam uma “recuperação duradoura, ampla e altamente protetora de doença e morte causada por este vírus”. Em outras palavras, o cientista afirma que a imunidade provocada pela doença é melhor do que a da vacina — o que é contestado pela ciência.

O presidente da SBIm lembra que há numerosos casos de reinfecção pela covid. “A imunidade natural tem uma queda após um tempo e se torna inviável contra a nova variante”, explica.

Pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (FioCruz), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), do Instituto D’Or de Ensino e Pesquisa (Idor) e da empresa chinesa MGI Tech Co publicaram estudo indicando que pessoas infectadas pela primeira vez com sintomas leves ou assintomáticos podem não produzir resposta imunológica. Além disso, podem adquirir a mesma variante outra vez e ainda ter sintomas mais fortes do que na primeira infecção. Os cientistas fizeram acompanhamento semanal de um grupo de 30 pessoas, entre março e dezembro de 2020.

Há ainda o fato de que é mais arriscado pegar covid do que se vacinar. Vacinas passam por testes de segurança que demonstram que os benefícios superam em muito os riscos. Os efeitos adversos mais comuns das injeções são dor de cabeça, dor local e febre. Por outro lado, contrair a doença pode causar consequências mais graves. “Muitas pessoas saudáveis evoluíram para quadros graves e mortes. Não bastava ser saudável ou ser esportista para não ter a doença de forma letal”, lembra Juarez.

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