Terça-feira, 26 de Maio de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 2 de setembro de 2025
Após o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF), em que é esperada sua condenação por tentativa de golpe, integrantes do PL avaliam que o dirigente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, vai retomar as “rédeas” da legenda e ficar livre para negociar palanques para as eleições de 2026. Mas a ex-primeira-dama Michelle também tem articulado por conta própria nos Estados e deve dividir o protagonismo com Valdemar.
Até agora, Bolsonaro vinha dando as cartas. No entanto, o isolamento do ex-presidente, que começou com a prisão domiciliar, deve se intensificar com o regime fechado. O presidente do PL fez um acordo com Bolsonaro para a disputa em Santa Catarina, mas ainda há impasse em redutos cruciais, como São Paulo e Rio de Janeiro.
O PL não quer repetir um erro de 2024: a falta de diálogo entre Valdemar e Bolsonaro, impedidos de se falar pela Justiça, atrasou a definição de chapas. O resultado foi número aquém de prefeituras. A ideia agora é ter mais controle do processo. Integrantes da cúpula avaliam que “a legenda precisa retomar o ritmo” e que “as decisões não podem mais ficar travadas”. A expectativa é de que Valdemar tenha mais liberdade para costurar alianças regionais.
Em São Paulo, a provável saída de Eduardo Bolsonaro (PL) do páreo no Senado vai gerar disputa. Além disso, se Tarcísio de Freitas (Republicanos) se lançar ao Planalto, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) pode concorrer ao Palácio dos Bandeirantes. Bolsonaro, contudo, resistiu a apoiar o emedebista em 2024 para a prefeitura. Dirigentes do PL paulista afirmam que a aliança com Nunes “não está garantida” e que “a avaliação sobre 2026 será feita com base na nova conjuntura”.
No Rio, o governador Cláudio Castro (PL) é opção ao Senado, mas Bolsonaro sinalizou lançar Sóstenes Cavalcante (PL) com Flávio Bolsonaro (PL). Aliados de Castro apontam que a divisão interna pode enfraquecer o desempenho do partido no Estado. “Se não houver unidade, corremos o risco de perder espaço”, diz um interlocutor. Já em outros Estados, como a Paraíba, Michelle quer apoiar Efraim Filho (União) para o governo, mas a chapa ainda não está fechada.
A ex-primeira-dama também deve focar o Norte. Ela tem feito viagens e reuniões com lideranças regionais, principalmente nos Estados da região amazônica. Segundo um dirigente, “Michelle está construindo seu próprio caminho e deve ter papel importante em 2026”. A disputa interna no PL tende a se acirrar com o afastamento de Bolsonaro e pode redesenhar o mapa político da legenda nos próximos anos. (Com informações de O Estado de S. Paulo)