Segunda-feira, 31 de Agosto de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 30 de agosto de 2026
O impeachment de Dilma Rousseff, em 2016, exibiu aos brasileiros juristas até então pouco conhecidos, petistas e adversários que incluíam ex-aliados da presidente. O processo abriu as portas da política para alguns dos protagonistas, motivou acusações de golpe e exibiu a faceta mais radical de um dos nome do baixo clero, Jair Bolsonaro, que depois seria alçado ao Planalto.
Chamada de “a mulher do impeachment” no slogan de candidata à Câmara neste ano, a vereadora paulistana e jurista Janaina Paschoal (PP) ganhou fama ao assinar, junto com os também juristas Miguel Reale e Hélio Bicudo, o pedido de saída de Dilma. A projeção nas sessões levou Janaina a se eleger, em 2018, deputada estadual em São Paulo, com votação recorde.
Vice de Dilma, Michel Temer (MDB) assumiu o Palácio do Planalto. Chamado de “golpista” por petistas, ele nega as acusações de traição. Em seu governo, registrou índices inéditos de desaprovação.
Para chegar à Presidência, Temer contou com movimentações de emedebistas nos bastidores do Congresso e teve como um dos principais articuladores Eliseu Padilha, ex-ministro de Dilma. Padilha atuou com o ex-líder da gestão petista no Senado Romero Jucá.
Na Câmara, após divergências com o Planalto, o então presidente Eduardo Cunha (MDB) aceitou o pedido e conduziu o processo de impeachment. No Senado, um dos incentivadores foi Aécio Neves (PSDB), derrotado na eleição presidencial de 2014. A defesa de Dilma foi conduzida por José Eduardo Cardozo.
Na votação na Câmara que deu prosseguimento ao processo, o então deputado Bolsonaro ganhou os holofotes ao votar “sim” evocando a memória do torturador Carlos Alberto Brilhante Ustra. Eleito presidente em 2018, está preso por tentativa de golpe.
Como estão alguns dos pivôs do processo
Janaina Paschoal: Vereadora na Câmara de São Paulo, foi uma das autoras do pedido de impeachment. Na esteira do processo, foi eleita em 2018 deputada estadual ( PSL-SP) com recorde de votação. Em 2022, não se elegeu ao Senado. Disputa mandato de deputada federal pelo PP.
Michel Temer: Vice, assumiu o governo após o afastamento e a saída definitiva de Dilma. Foi chamado por aliados da petista de golpista, mas nega ter trabalhado pelo impeachment nos bastidores para comandar o Planalto. Chegou a ser preso na Lava-Jato. É advogado e articulador político.
Eduardo Cunha: Presidente da Câmara, deu andamento ao processo. Tinha uma relação desgastada com o Planalto. Foi cassado em 2016 após mentir sobre contas bancárias no exterior numa CPI . Tenta pelo Republicanos voltar à Câmara, mas por Minas Gerais — antes, era do Rio.
José Eduardo Cardozo: Atuou na defesa de Dilma. Ex-deputado federal pelo PT, comandou a pasta da Justiça na gestão da petista. Foi advogado-geral da União e, no cargo, defendeu a presidente. Após sair do governo, seguiu na função. É advogado em Brasília em tribunais superiores.
Aécio Neves: Líder da oposição no processo de impeachment, o deputado federal tucano por Minas Gerais foi derrotado por Dilma em 2014. Chegou a contestar a confiabilidade das urnas eletrônicas. Após articulação com o PDT na semana passada, disputará vaga no Senado. Com informações do portal O Globo.