Terça-feira, 27 de Outubro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 26 de outubro de 2026
“Ele tirou a vida de uma mulher para satisfazer um sentimento egoísta”. Com essa frase, o promotor Fabricio Gustavo Allegretti, do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), denunciou um homem de 29 anos por feminicídio qualificado, lesão corporal e ameaça contra a ex-companheira, em Erechim (Norte gaúcho). A vítima foi uma imigrante da Venezuela, mesmo país de origem do autor do crime.
O MPRS também pediu que a Justiça determine a perda do poder familiar em relação aos dois filhos do casal e fixe indenização mínima aos sucessores da vítima pelos danos causados. No alvo do processo está um crime cometido na noite de 7 de outubro.
Descumprindo medida protetiva de urgência, o agressor entrou na casa onde havia morado com a ex-companheira, de 27 anos, e a atingiu com vários golpes de faca. A vítima morreu cerca de cinco horas depois, em um hospital na região.
O promotor sustenta que o homem agiu por ciúmes: “Ele não aceitou a decisão da vítima de pôr fim ao relacionamento. Ele agiu motivado por um sentimento de posse e dominação que mantinha sobre a mulher”.
A denúncia, apresentada nesta segunda-feira (26), aponta ainda que o crime foi cometido em contexto de violência doméstica, na presença dos dois filhos da vítima, de 3 e 4 anos de idade. Também havia situação de descumprimento de medidas protetivas concedidas poucos dias antes do crime. O MPRS aponta, ainda, os agravantes de meio cruel, recurso que dificultou a defesa da vítima e motivo torpe.
Além do feminicídio, o denunciado responde por uma agressão ocorrida em agosto de 2026, quando atingiu a companheira na cabeça com um telefone celular, e por ameaças de morte feitas nas semanas que antecederam o feminicídio. A vítima registrou boletim de ocorrência e pediu medida protetiva.
Acolhimento
Na sexta-feira (23), a mãe, o pai e a irmã da vítima foram acolhidos na sede das Promotorias de Justiça de Erechim. O promotor Fabrício Allegretti apresentou as providências adotadas pelo MPRS e Polícia Civil, além de explicar o funcionamento do Tribunal do Júri no Brasil e informar o pedido de um tradutor para acompanhar os familiares nas audiências.
O MPRS também repassou os canais de atendimento para a manutenção de contato. O pai mora em Santa Catarina; a mãe e a irmã vivem na Venezuela. Elas receberam orientações para encaminhar a guarda dos órfãos.
Como a mãe e a irmã da vítima residem na Venezuela e pretendem retornar ao país após a definição da guarda das crianças, o MPRS pediu a produção antecipada dos depoimentos dessas familiares e do pai da vítima. O objetivo é preservar provas consideradas relevantes para o processo antes que deixem o Brasil.
(Marcello Campos)
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