Terça-feira, 27 de Outubro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 26 de outubro de 2026
O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) terá papel de destaque no quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Desde 2023, Alckmin se aproximou muito de Lula, ganhou sua confiança e é hoje um dos nomes mais cotado para ocupar o Ministério da Fazenda.
Nas duas vezes em que fez pronunciamentos na noite de domingo (25), após a vitória nas urnas, o petista elogiou Alckmin e pediu para que ele falasse na sua frente. “Feliz do presidente que tem um vice da qualidade, lisura de comportamento e lealdade que tenho no Alckmin”, afirmou Lula ao comemorar o resultado das urnas em um hotel da capital paulista.
Ex-ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio no terceiro mandato de Lula, o vice-presidente foi governador de São Paulo quatro vezes e é conhecido por uma obsessão: a reforma tributária. Tem perfil fiscalista e o apreço do mercado financeiro.
Economistas que conversaram com o Estadão, sob a condição de anonimato, disseram que o nome de Alckmin seria bem recebido pelos investidores. O vice teve papel de destaque nas conversas com o governo americano durante o tarifaço que atingiu o Brasil, e soube ouvir as demandas dos setores da indústria mais afetados, sem se deixar levar pelo sentimento de vingança contra o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Há relatos de que, ao longo do mandato, o ajuste fiscal foi abordado diversas vezes entre Alckmin e Lula e o vice sempre demonstrou preocupação com o aumento da dívida pública. Um desses interlocutores afirmou que Alckmin “conhece todos os números” e sabe do nível de superávit primário que o governo vai precisar atingir para equilibrar as contas.
Em 2024, o ex-tucano chamou a atenção quando decidiu viajar de classe econômica para a China, ao contrário de outros ministros que optaram pela classe executiva.
Além disso, Alckmin sempre demonstrou preocupação com os gastos da Vice-Presidência como forma de sinalizar austeridade. Por isso, teria reduzido despesas em relação a seu antecessor, o general Hamilton Mourão (Republicanos), hoje senador. Da mesma forma que Lula, Alckmin também entende que o ajuste não pode recair sobre os mais pobres nem provocar uma recessão a curto prazo.
O corte de gastos tributários está entre as medidas apontadas por economistas como essenciais para o ajuste que precisa ser feito nas contas públicas, assim como mudanças nas regras de indexação do salário mínimo e dos pisos com saúde e educação.
Questionado se aceitaria assumir o Ministério da Fazenda no próximo mandato, Alckmin afirmou que ainda não recebeu convite e disse que Lula tem tempo para definir os nomes que vão compor o novo governo. A posse do presidente está marcada para 5 de janeiro de 2027.
“Esse convite não me foi feito e cada coisa tem o seu tempo. Acabou a eleição agora”, afirmou Alckmin nessa segunda-feira (26) à Rede Vanguarda, afiliada à TV Globo em São José dos Campos (SP). “O novo governo começa na primeira semana de janeiro do ano que vem. Então, tem tempo para o presidente Lula montar o seu ministério”.
Eleito deputado federal, o presidente do PT, Edinho Silva, observou que Alckmin pode ser “o que quiser” na nova equipe. “É um excepcional vice”, definiu.
Uma ala do PT defende para a Fazenda o nome do governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles, que integrou a coordenação da campanha do presidente no segundo turno e se destacou bastante. Fonteles foi secretário da Fazenda do Piauí de 2015 a 2022 e é visto por setores do PT como um dos possíveis sucessores de Lula, em 2030.
Até agora, no entanto, a tendência do presidente é nomear para a Fazenda um nome de sua inteira confiança, palatável ao mercado, mas que não seja do PT.
Depois de posar para selfies com apoiadores de Lula, na noite deste domingo, Alckmin foi questionado por jornalistas sobre prioridades para o quarto mandato. Espremido entre os manifestantes, agradeceu o apoio da população ao projeto que, nas suas palavras, “salvou a democracia”, e mencionou a necessidade de mais reformas.
“Agora vamos trabalhar de maneira ainda mais redobrada, avançar em mais reformas, como a reforma tributária que o presidente Lula fez, e estar à altura da confiança do povo”, disse Alckmin.
O primeiro desafio de Lula, após a virada histórica sobre o adversário Flávio Bolsonaro (PL), será evitar que a piora dos indicadores financeiros chegue à economia real.
“O ajuste fiscal deve mirar um superávit primário de 2% do PIB”, assinalou Felipe Salto, economista-chefe da Warren Investimentos. Na avaliação de Salto, Lula precisa anunciar rapidamente um plano de corte de despesas, mas para ser executado ao longo de quatro anos. O candidato mais forte a sofrer esta investida, neste momento, é justamente o gasto tributário. (Com informações de O Estado de S. Paulo)