Segunda-feira, 21 de Setembro de 2026

Home Variedades Vinte mulheres tiveram mamas removidas sem necessidade em tratamento de câncer no Reino Unido; entenda

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Vinte mulheres tiveram as mamas removidas sem necessidade durante tratamentos contra o câncer em uma unidade do National Health Service, o Serviço Nacional de Saúde (NHS), segundo uma revisão interna do órgão britânico. A apuração já analisou 514 casos e identificou 315 pacientes que sofreram algum tipo de dano, incluindo 77 com danos considerados significativos. Uma paciente morreu.

A investigação foi iniciada depois que 640 ex-pacientes procuraram uma linha criada especificamente para receber denúncias e relatos sobre o atendimento prestado pelo County Durham and Darlington Foundation Trust (CDDFT), no nordeste da Inglaterra. Os atendimentos analisados ocorreram entre janeiro de 2023 e fevereiro de 2025.

A dimensão do caso ainda pode aumentar, segundo a BBC. As autoridades devem decidir em breve se a revisão será ampliada para incluir atendimentos realizados desde 2015. Se isso acontecer, até 10 mil prontuários médicos poderão ser reabertos.

Diretor pede desculpas

Steve Russell, que assumiu recentemente o cargo de diretor-executivo do CDDFT, pediu desculpas pelos danos causados às pacientes.

— Não há palavras que eu possa usar para transmitir o quanto estou pessoalmente angustiado — disse: — O que aconteceu foi totalmente inaceitável.

A investigação também identificou situações em que diagnósticos de câncer não foram feitos ou sofreram atraso. Segundo Russell, alguns desses pacientes apresentaram posteriormente disseminação da doença.

Mulher descobriu que mastectomia poderia ter sido evitada

Entre as pacientes afetadas está Denise Howarth, de 51 anos, de Consett, no condado de Durham. Ela foi diagnosticada em 2023 com um câncer de grau 1 e crescimento lento depois de encontrar um nódulo na mama.

Inicialmente, Denise passou por uma lumpectomia. Depois, foi submetida a uma mastectomia, além de oito sessões de quimioterapia e radioterapia.

Em setembro de 2025, recebeu um telefonema do NHS informando que a remoção completa da mama poderia ter sido evitada e que uma segunda lumpectomia seria uma alternativa. Em uma carta enviada posteriormente, o CDDFT reconheceu que essa possibilidade nunca havia sido discutida com ela.

— Fiquei simplesmente em choque e depois comecei a chorar ao telefone — conta.

Sobre o pedido de desculpas recebido, Denise afirmou que foi “muito bonito e tudo mais”, mas acrescentou que isso não devolveria sua mama.

Ex-funcionária diz estar ‘mutilada’

Outra paciente, identificada pelo nome fictício Jo, procurou a linha de atendimento do CDDFT por causa de uma mastectomia realizada em 2021. No início deste ano, ela recebeu um telefonema informando que o procedimento poderia ter sido evitado.

Jo era ex-funcionária do NHS e afirmou que havia confiado nos profissionais com quem trabalhava para que fizessem o melhor por ela.

— Você vai trabalhar para fazer o seu melhor, não é? Então por que eu pensaria que qualquer outra pessoa não faria o mesmo?

Atualmente, Jo afirma se sentir “mutilada”, segundo a BBC. Ela também classificou os erros atribuídos ao serviço como “absolutamente imperdoáveis”.

Médico que supervisionava tratamentos está suspenso

O médico que supervisionava o tratamento de Jo e Denise era Amir Bhatti, responsável pelos serviços de mama do CDDFT entre 2013 e 2024. Atualmente, ele está suspenso de atividades clínicas, mas continua empregado pelo órgão e recebe salário integral.

A BBC havia revelado no ano passado que o CDDFT pagou quase 6 milhões de libras ao longo de seis anos a clínicas privadas de diagnóstico de câncer de mama e empresas de cirurgia administradas por Bhatti.

Uma revisão sobre a gestão do órgão, realizada em 2025 pela especialista em governança Mary Aubrey, levantou preocupações sobre o modelo de terceirização. Segundo Aubrey, os contratos criavam incentivos financeiros que poderiam representar “um risco para os padrões clínicos”.

O atual diretor-executivo afirmou que o pagamento por serviço não é incomum na área da saúde, mas reconheceu problemas na administração dos contratos.

— Reconhecemos que havia um conflito de interesses que não foi administrado adequadamente — diz Russell.

O CDDFT encerrou o acordo para os serviços de câncer de mama. Com informações do portal O Globo.

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