Terça-feira, 17 de Maio de 2022

Home Colunistas Visão pessimista e conflitiva

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Quando se fala de racismo estrutural, a que estruturas estamos nos referindo, quais delas o racismo contaminou, com tal força e intensidade, que nada reduz as suas consequências terríveis, e menos ainda o debela em definitivo? 

A mais vasta, ordenada e poderosa estrutura na qual estamos inseridos é a estrutura do Estado – o colossal aparato das instituições públicas, nos municípios, nos estados e DF, na União Federal. Essa formidável estrutura estará porventura contaminada pelo racismo? 

A resposta é claramente e definitivamente – não! É o inverso. Em cada mecanismo estatal, em cada local e estabelecimento público, na cabeça de cada servidor público, há um protocolo, escrito e não escrito, que repele instintiva, impulsivamente qualquer ação ou comportamento racista. 

O Estado brasileiro, com todas as suas mazelas e contradições, entretanto, em circunstância alguma admite que a prática do racismo se manifeste nas infinitas situações que lhe são pertinentes, na miríade de incidentes em que se procedem as suas múltiplas tarefas, alçadas e intervenções. 

O Poder Legislativo legisla, elabora as leis, insere nas leis de toda ordem as normas de convivência da cidadania, do pacto social. Nenhum detalhe escapa, nas câmaras de vereadores, nas assembleias legislativas, no Congresso Nacional, que de algum modo valide a conduta racista, o ato infame. 

As escolas do país – multifacetada e influente estrutura da educação – em todas as instâncias, em todos os níveis, são espaços vigorosos de uma postura inegociável da igualdade básica e da luta contra o racismo. 

Dá para imaginar um juiz, um tribunal, que diante de uma violação dos códigos antirracistas deixe de lado, passe o pano? Se o fizer, enfrentará a reação imediata do Ministério Público, da mídia, da sociedade civil organizada. 

Na mídia – todas as mídias – o que se observa é uma exemplar atitude de denunciar todas as ocorrências de cunho racista, uma posição clara de apoio às condutas civilizatórias e à causa antirracista. 

Nas novelas de tevê, nos filmes e séries do streaming, lá estão, em posições de protagonismo, atores negros. Não se exibem mais propagandas e inserções de toda ordem sem a diversidade que inclui, mais do que todos, os negros. Há cada vez mais apresentadores e repórteres de tevê de cor negra. 

Dá para conceber igrejas, sindicatos, conselhos profissionais, associações de moradores dando a entender que o racismo é tolerável, assumindo práticas que possam redundar no racismo? 

Nas empresas privadas, no mercado, é cada vez maior o espaço de inclusão, não apenas das pessoas de cor, mas das mulheres, dos portadores de deficiência, da comunidade LGBT. 

As estruturas vivas e dinâmicas do Estado e da sociedade brasileira atuam ostensivamente na contramão do racismo. 

Defender a existência de um racismo estrutural corresponde a uma visão não apenas pessimista da situação racial, mas conflitiva, tendente a agravar as diferenças raciais, que ignora solenemente todos os avanços, e que não servem ao propósito justo, necessário e urgente de reduzir e derrotar a praga moral.

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