Domingo, 27 de Setembro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 26 de setembro de 2026
A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) decidiu reduzir o espaço dedicado ao caso Master no horário eleitoral gratuito nesta reta final do primeiro turno, após novas revelações sobre a relação do candidato com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o financiamento do filme “Dark Horse”. A orientação é concentrar os programas de rádio e televisão em temas como economia, endividamento e segurança pública e manter o embate sobre o escândalo principalmente nas redes sociais.
A estratégia foi definida a partir de pesquisas qualitativas encomendadas pela equipe. Segundo integrantes da campanha, os levantamentos indicaram efeito limitado da troca de acusações sobre o Master entre eleitores menos envolvidos na disputa política e uma resposta maior quando os programas tratam de problemas ligados ao cotidiano.
A divisão reflete uma estratégia diferente para cada ambiente. Na avaliação de auxiliares de Flávio, a televisão deve ser usada para alcançar o eleitor menos engajado politicamente, que tende a responder mais a temas concretos do cotidiano, enquanto as redes funcionam como espaço de reação rápida e mobilização da base diante das notícias sobre o Master.
A decisão é mantida mesmo após duas novas informações sobre a relação entre Flávio e Vorcaro virem a público na quinta-feira (24). O Estado de S. Paulo revelou que o candidato tentou falar com o então dono do Master em cada um dos quatro dias que antecederam a prisão do banqueiro, em novembro do ano passado. Mensagens e registros de chamadas encontrados pela Polícia Federal no celular de Vorcaro mostram tentativas de contato entre os dias 13 e 16 daquele mês.
Na véspera da prisão, depois de Vorcaro informar que estava na igreja e que ligaria posteriormente, Flávio afirmou que estaria ao lado dele e pediu que o banqueiro lhe desse “uma luz”. Vorcaro foi preso no dia seguinte, 17 de novembro de 2025, no Aeroporto de Guarulhos. O material obtido pela PF contém três meses de conversas entre os dois e menções a seis encontros, embora os registros não permitam afirmar que todos tenham ocorrido.
Como revelou o jornal O Globo, Flávio também viajou, em janeiro de 2025, com a mulher e as duas filhas em um jatinho que tinha entre seus cotistas uma empresa da qual Vorcaro era sócio. O voo partiu de Fort Lauderdale, nos Estados Unidos, com destino a Brasília.
A sequência se soma a uma crise que já havia atingido a campanha por causa do caso “Dark Horse”. A divulgação de informações sobre contatos entre Flávio e Vorcaro relacionados ao financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro provocou uma crise na campanha e levou o senador a se explicar publicamente sobre sua relação com o banqueiro. Desde então, novas informações envolvendo os dois passaram a ser administradas por seu entorno dentro de uma crise que, na avaliação de aliados, já chegou ao conhecimento do eleitor.
Flávio afirmou que não sabia da participação de uma empresa ligada a Vorcaro na propriedade compartilhada da aeronave e disse que, para ele, o avião pertencia ao advogado Willer Tomaz, seu amigo e também cotista do jato.
Questionado sobre a participação da empresa ligada ao ex-banqueiro na propriedade da aeronave, Flávio insistiu:
“Para mim, o avião era do Willer. Qualquer coisa além disso é distorção da realidade.”
A revelação de que o próprio candidato havia utilizado a aeronave provocou uma autocrítica entre aliados. Reservadamente, integrantes do entorno de Flávio reconhecem que ele se precipitou ao partir para um ataque contundente contra Moraes antes de conhecer melhor o histórico do jatinho, abrindo espaço para uma reação dos adversários quando sua viagem veio a público.
Apesar da sequência de informações, auxiliares do candidato dizem haver “certa tranquilidade” com o impacto político do caso e avaliam que ele já está, em grande medida, “precificado”.
A leitura é que os novos elementos se somam a uma história que já chegou ao conhecimento do eleitor. A campanha segue atenta a possíveis desdobramentos, mas considera que responder a cada episódio na televisão tiraria espaço de assuntos que as pesquisas internas apontam como mais capazes de alcançar votos ainda em disputa. (Com informações do jornal O Globo)