Quarta-feira, 18 de Maio de 2022

Home em foco A combinação de fatores que deixa Brasil e América do Sul mais protegidas contra a ômicron

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Enfermarias e pronto-socorros lotados de pessoas com problemas respiratórios retratam um momento preocupante da pandemia de covid-19 no Brasil, simultaneamente a uma epidemia de influenza.

Mas, em meio ao avanço global da variante ômicron, que demonstra ser muito mais transmissível, faz o mundo bater recorde de novos casos de covid-19 e já causou mortes por aqui, os dados e os especialistas sinalizam que o Brasil — junto a boa parte da América do Sul — tem atualmente barreiras de proteção mais robustas para evitar que a explosão de infecções resulte em altos números de casos pacientes graves e óbitos.

Em parte, isso se dá tanto por motivos positivos — como a alta adesão da população brasileira às vacinas — quanto por razões trágicas e ao menos parcialmente evitáveis, como a devastação causada no país por ondas e variantes prévias do coronavírus.

“Fomos a região do mundo que mais sofreu: temos o maior excesso de óbitos (em relação às mortes registradas em anos normais, pré-pandemia). Mas também somos a região que mais vacinou até agora. Esses dois eventos geram algum tipo de proteção”, diz à BBC News Brasil o infectologista Julio Croda, pesquisador da Fiocruz.

A revista britânica The Economist combinou dados de duas universidades britânicas que estão monitorando a pandemia pelo mundo: o Imperial College London e a Universidade de Oxford, que produz a plataforma Our World in Data.

E, a partir de dados de vacinação e estimativas de porcentagem de populações já infectadas pela covid-19, colocou Chile, Brasil e Uruguai junto a Israel e Reino Unido (dois países com alta taxa de vacinação e rastreio de casos) como os que parecem estar mais protegidos contra a ômicron.

Isso nem de longe quer dizer dizer que é o momento de relaxar nas medidas preventivas. Nesta sexta (7), a Organização Mundial da Saúde (OMS) advertiu que a ômicron não deve ser tratada como uma variante branda, porque já está provocando mortes e saturação em sistemas de saúde pelo mundo — embora estudos indiquem que ela tem menos probabilidade de causar casos graves do que as variantes anteriores do coronavírus.

O argumento de Croda e outros especialistas é de que temos, no Brasil, mais ferramentas para nos protegermos desta vez — desde que consigamos ampliar a vacinação para os públicos que ainda não a receberam (como as crianças) e avançar com a aplicação das doses de reforço.

Alta vacinação

Os três países sul-americanos citados pela The Economist têm altas taxas de vacinação: no Chile, 86% da população está plenamente vacinada — um dos maiores índices do mundo, segundo o Our World in Data. E o governo chileno anunciou que começará a aplicar uma quarta dose da vacina no mês que vem, para grupos considerados prioritários ou vulneráveis.

O Uruguai tem 76% da população com o esquema vacinal completo.

O Brasil, por sua vez, vive o rescaldo de um apagão de dados oficiais, o que tem deixado no escuro pesquisadores e profissionais da saúde que tentam monitorar o rumo que a pandemia tem tomado por aqui.

Mas, de modo geral, o país tem registrado uma alta adesão à vacinação. A estimativa mais recente, provavelmente desatualizada, é de que em torno de 67% da população esteja com o esquema vacinal completo e que 15,4 milhões de doses de reforço já tenham sido aplicadas.

Embora o Brasil esteja, em relação a outros países, mais protegido contra a ômicron, precisa levar em conta a desigualdade regional na aplicação de vacinas, explica o microbiologista Átila Iamarino.

“Nem todo lugar tem acesso à vacinação dessa forma: temos regiões do interior dos Estados do Norte onde a vacinação não chega a 40% da população de alguns municípios, e são regiões que estão enfrentando falta de leitos agora, por causa de ondas de casos causados ainda pela (variante) delta, antes mesmo da ômicron. Pela falta de vacinação, elas estão suscetíveis a qualquer uma das variantes”, diz o especialista.

“Pelo menos não temos aqui a concentração de grupos antivacina, como nos Estados Unidos e Europa, que montam focos onde a doença consegue circular muito bem”, agrega.

No cenário mais amplo, a América do Sul terminou 2021 como o continente com os mais altos índices do mundo de vacinação contra o coronavírus, com 63,4% de sua população imunizada com duas doses ou vacina de dose única, segundo dados divulgados no final de dezembro pela Organização Mundial da Saúde.

Se levarmos em conta quem tomou ao menos uma dose da vacina, esse índice sobe para 74,3% dos 434 milhões de habitantes sul-americanos.
Esse é o lado positivo dessa história.

O lado negativo é que a região chega a esse patamar depois de ter sido o epicentro mundial da covid-19 e acumulado os maiores índices de mortes pela pandemia em todo o planeta, a um enorme custo social, econômico e de saúde que deixou cicatrizes irreversíveis em milhões de famílias.

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