Segunda-feira, 28 de Setembro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 27 de setembro de 2026
A divulgação de informações falsas atrelando o senador e candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), a um projeto de tirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil teve quase 1 milhão de publicações nas redes sociais em menos de três dias e se tornou o terceiro maior episódio político nas redes sociais em 2026.
A constatação é de um levantamento do Instituto Democracia em Xeque (IDX), divulgado neste sábado, 26, com base na análise de postagens que inundaram as plataformas digitais desde quinta-feira, 24.
A pesquisa registrou 977,6 mil publicações no intervalo de 55 horas, que renderam 8,5 milhões de interações, como comentários, curtidas e republicações.
Ao analisar as primeiras 24 horas de publicações sobre o tema, o IDX encontrou 669,9 mil publicações. O montante coloca o “caso Nossa Senhora Aparecida” como o terceiro maior mobilizador de debate na internet no ano.
A controvérsia sobre a padroeira só não teve mais repercussão nas primeiras 24 horas desde que ganhou as redes, de acordo com o IDX, do que as publicações sobre o embate entre os ministro André Mendonça e Alexandre de Moraes, no Supremo Tribunal Federal (STF) e sobre os áudios trocados por Flávio Bolsonaro com o banqueiro Daniel Vorcaro tratando do financiamento do filme “Dark Horse”, em 13 de maio.
A desinformação nasceu com o resgate, por governistas, de um projeto apresentado em 2007 e arquivado em 2008. De acordo com o monitoramento de redes sociais realizado pela campanha de Flávio Bolsonaro, a primeira publicação foi feita pelo influenciador Jeferson de Oliveira Monteiro, autor do perfil governista “Dilma Bolada”.
Segundo o levantamento da equipe do candidato do PL, apresentado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a publicação de Jeferson, feita às 21h50 de quarta-feira, 23, levou a uma onda de boatos e distorções a partir dos minutos seguintes.
“Católico não vota em nenhum Bolsonaro e nem em nenhum candidato que queira retirar o título de Nossa Senhora Aparecida de Padroeira e Rainha do Brasil. Tudo com Jesus. Nada sem Maria. E Bolsonaro na cadeia!”, diz a publicação no perfil de Jeferson. A reportagem não conseguiu contato com o autor.
A informação falsa escalou por volta das 20h13 do dia seguinte, quinta-feira, quando o programa Em Pauta, da GloboNews, abordou que a Igreja Católica estaria preparando uma reação a uma suposta mobilização de evangélicos em torno do projeto e que isso poderia “surtir efeito, entre os católicos, a favor de Lula”. Horas depois, a própria emissora veiculou uma correção. “Nós pedimos desculpas pelo erro”, afirmava a nota exibida pelo canal.
Mesmo quando já era público que as informações que circulavam sobre ataques de Flávio Bolsonaro a Nossa Senhora Aparecida eram falsos, o coordenador-geral de Estratégia e Informação da Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom), George Marques da Silva e Silva, republicou mensagem que estimulava o compartilhamento das mensagens.
“Parem de divulgar retratação. Deixem o assunto rolar. Eles fizeram isso em outras eleições e quase nos ferram. Continuem compartilhando que nossa senhora foi atacada, precisa chegar no interior do Nordeste, no interior do Norte”, dizia a publicação, que depois foi apagada. Flávio pediu a prisão preventiva do integrante do governo Lula pelo caso.
As publicações voltaram a ter um pico neste sábado por causa da decisão do ministro André Mendonça, do STF, que determinou a remoção de publicações que tratavam como verdadeira a versão de que Flávio Bolsonaro tiraria o título de padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida. A nova onda de postagens dos perfis à esquerda usou a decisão, segundo o IDX, para deslocar o debate religioso para o de censura e prejuízo à liberdade de expressão.
No recorte do IDX sobre 345 posts de perfis políticos monitorados, os grupos considerados à esquerda do espectro político produziram 66% das publicações, já os apontados à direita, 33%, e a imprensa 1%. Considerando as interações em todas as publicações, a esquerda fez 70% delas. A direita, 30%.
Nesses perfis políticos, o IDX observou que a mobilização contra Flávio foi o “principal eixo da conversa”. As 345 publicações foram dividas, pelo estudo, em quatro frentes. Três delas foram emplacadas pela esquerda.
As publicações em torno da frente “tirar o título de Aparecida” foram 53% de todas as publicações. E os grupos à esquerda foram responsáveis por 80% delas. Os da direita, 19%.
Outro grupo de mensagens classificadas pelo estudo foi referente à “mobilização evangélica e o projeto de lei de 2007”. Elas foram 17% das publicações encontradas, e as páginas da esquerda fizeram 88% delas. As da direita, 10%. As menções ao projeto foram usadas pela esquerda para dar sustentação à narrativa, segundo o estudo. (Com informações do portal Estadão)