Quarta-feira, 19 de Agosto de 2026

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A escola me ensinou a obedecer, não a pensar. Quando terminei a escola, não houve uma despedida ou formatura convencional. Houve apenas a sensação nítida de que eu tinha acabado de sair de um sistema que, para mim, havia perdido o sentido.

Em 2023, no primeiro ano do ensino médio, tomei uma decisão: simplesmente parei de ir. Eu percebia que minha presença ali era inútil. O ambiente escolar, marcado por ordens e obediência, parecia muito mais focado em suprimir minha individualidade em nome de um suposto dever cívico. Eu acreditava, e ainda acredito, que a internet oferece o aprendizado que a rigidez escolar ignorava. Eu poderia pesquisar qualquer assunto do meu interesse para aprender, o que me parecia muito mais útil do que o conteúdo monótono da sala de aula.

Fui forçado a retornar a contragosto. Naquele ano, a mudança foi brusca. Professores que antes me viam como um aluno esforçado passaram a me olhar com desprezo, como se o questionamento sobre a utilidade daquele modelo fosse uma ofensa pessoal. Após a reprovação, continuei sendo levado pela burocracia escolar. Passei anos apenas cumprindo a tabela, até que, em 2025, fiz o Enem. Como o exame voltou a oferecer a certificação do Ensino Médio, vi ali a solução. Em 2026, ano em que eu deveria estar no terceiro ano, saiu o resultado: atingi a nota necessária para a certificação.

Com o documento em mãos, desmatriculei-me imediatamente. Não me levem a mal: o conhecimento é vital. Mas a escola insiste em práticas que parecem ignorar a realidade em que vivemos. Passamos horas preciosas transcrevendo informações que poderiam ser acessadas em segundos, em um mundo onde o papel e a escrita manual já não são as principais ferramentas de trabalho. A escola nos prende ao ato de copiar em um caderno o que foi escrito por outro, enquanto o mundo real exige agilidade, senso crítico e curadoria digital.

O sistema de notas e reprovações é a prova dessa obsolescência. Ele transforma o processo de aprendizagem em uma competição superficial baseada em números, na qual ser aprovado é mais importante do que realmente absorver algo. A escola se tornou um depósito de respostas prontas, quando deveria ser um laboratório de perguntas. Em vez de nos forçar a decorar o que já está definido, a instituição deveria nos ensinar a elaborar as próprias perguntas, observar o mundo e desenvolver um pensamento crítico sólido.

A escola prefere a obediência cega à iniciativa de pensar. O diploma, que obtive apenas para romper uma barreira burocrática, não resume minha inteligência. Não pretendo dizer que sei de tudo, pois tenho muito a aprender e entendo perfeitamente a necessidade de uma formação estruturada. A escola apenas testou quem seria mais obediente à hierarquia. Não quero ser apenas um aluno formado pela burocracia; quero ser um adulto capaz de navegar no mundo. A educação que me formou não foi a que recebi em sala de aula, mas a que busquei por conta própria, e essa é uma autonomia fundamental que a escola falhou em proporcionar.

* Wesley Dorly, 18 anos, morador de Porto Alegre

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