Sexta-feira, 08 de Maio de 2026

Home Economia A investigação que envolve Vorcaro, dono do Banco Master, ganhou outro candidato a delator: Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília

Compartilhe esta notícia:

Os investigadores da Polícia Federal (PF) e da Procuradoria-Geral da República (PGR) já avisaram a defesa de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, desde o início do processo que a proposta de delação deveria apresentar novos elementos de prova, além daquelas já colhidas no celular do banqueiro, e indicar fatos novos. Como a investigação já obteve uma grande quantidade de provas sobre as suspeitas de crimes financeiros do Master e outros delitos de Vorcaro, o conteúdo oferecido na delação deve ser analisado de forma rígida pelos investigadores, com base nessas provas já existentes.

Há uma expectativa dos investigadores de que Vorcaro esclareça, na sua proposta de delação, seu relacionamento com políticos e com integrantes do Judiciário.

Os investigadores da PF e da PGR vão cruzar as informações da proposta de delação premiada de Daniel Vorcaro com as provas já colhidas no celular do banqueiro e em outras frentes de apuração da Operação Compliance Zero, para verificar se ele apresentou fatos novos em seu relato.

Esse vai ser o primeiro passo a ser tomado após a entrega da proposta de delação. Ainda não foram colocados na mesa assuntos como tempo de pena ou valores de ressarcimento.

A defesa do banqueiro entregou aos investigadores um documento contendo um conjunto de temas a serem abordados na delação premiada, os chamados “anexos”.

Cada um dos anexos trata de um fato diferente e apresenta um relato resumido do que Daniel Vorcaro tem a dizer sobre o assunto, acompanhado da descrição de possíveis meios de prova. O conteúdo do material está sob sigilo.

Cruzamento

Esses fatos serão cruzados com todo o conjunto de provas já obtido na Operação Compliance Zero, para verificar se as informações são inéditas e justificam uma colaboração premiada. Não há um prazo para que esse trabalho termine, mas os investigadores vão dar prioridade a essa análise e não querem que o processo demore excessivamente.

Foi com base no celular de Vorcaro que a PF deflagrou as duas últimas fases da Operação Compliance Zero, resultando na segunda prisão do banqueiro e na prisão do ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa.

Os diálogos mostraram, por exemplo, que Vorcaro usava uma espécie de milícia armada para ameaçar adversários, tinha meios de invadir sistemas de órgãos de investigação e acertou o pagamento de R$ 146 milhões em imóveis para Paulo Henrique Costa.

Nesse estágio, a proposta de delação ainda não é acompanhada de documentos de corroboração nem envolve discussão sobre tempo de pena ou valores de ressarcimento.

Negociação

Ao final dessa primeira análise, a PF e a PGR irão responder se têm interesse em um acordo de colaboração premiada do dono do Banco Master ou se rejeitam o acordo. Caso os investigadores considerem que os fatos são realmente inéditos e decidam dar prosseguimento à delação, a mesa de negociação será aberta para tratar dessas cláusulas do acordo.

Depois que os dois lados chegarem a um consenso, os investigadores irão tomar os depoimentos de Vorcaro sobre cada um dos anexos. Além disso, sua defesa deve entregar documentos e provas de corroboração.

Com tudo isso alinhado, o acordo de colaboração premiada pode ser assinado e enviado ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, a quem cabe dar a chancela jurídica ao documento na Corte. O acordo só surte efeitos e tem validade após a homologação do ministro.

Prisão e visitas

O banqueiro foi preso pela segunda vez no dia 4 de março. No dia 19 daquele mês, ele assinou um termo de confidencialidade para dar início à negociação de delação e foi transferido do presídio federal de segurança máxima para a Superintendência da PF em Brasília, com o objetivo de confeccionar o acordo em conjunto com seus defensores.

Esse processo durou cerca de 45 dias e foi feito por meio de visitas diárias da equipe de advogados do banqueiro. A defesa teve acesso à cópia da extração do telefone celular do banqueiro apreendido pela PF, o que foi uma das fontes de provas usadas para construir a proposta.

Enquanto Vorcaro confeccionava sua delação, a investigação da Compliance Zero também ganhou outro candidato a delator, o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa. Preso em 16 de abril, sua defesa já manifestou interesse em colaborar e pediu a transferência dele para outro estabelecimento no qual possa conversar com seus advogados para confeccionar a proposta de delação. (Com informações de O Estado de S. Paulo)

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Economia

Atividade industrial gaúcha cai 3,2% em março
A investigação que envolve Vorcaro, dono do Banco Master, ganhou outro candidato a delator: Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília
Deixe seu comentário
Baixe o app da RÁDIO Pampa App Store Google Play
Ocultar
Fechar
Clique no botão acima para ouvir ao vivo
Volume

No Ar: Programa Pampa News