Quarta-feira, 23 de Setembro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 23 de setembro de 2026
O acidente que matou o cantor Rick, da dupla Rick e Renner, e outras quatro pessoas elevou para 129 o número de mortes registradas em acidentes envolvendo helicópteros no Brasil nos últimos dez anos. Os dados são do painel Sipaer, mantido pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), e foram contabilizados após a queda ocorrida em Santa Catarina.
O helicóptero desapareceu na segunda-feira (21), durante um voo entre Porto Belo, no Litoral Norte catarinense, e São Joaquim, na Serra. A aeronave levava cinco pessoas: o cantor Rick Sollo, o empresário Bruno Avelar, o videomaker Paulo Soares, o piloto Antônio Roberto Nóbrega de Araújo e o copiloto Leopoldo Barros Teixeira.
Os destroços foram localizados pelo Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina na terça-feira (22), em uma área de mata de difícil acesso na região de Urubici. As equipes precisaram realizar uma operação de resgate em terreno de serra e sob condições meteorológicas adversas.
Os cinco ocupantes morreram. Os corpos foram retirados do local e encaminhados para Florianópolis, onde passaram por procedimentos de identificação e exames periciais.
Com as cinco mortes, o número de óbitos em acidentes de helicóptero registrados no país em 2026 chegou a 21. O levantamento aponta que esse é o maior número anual desde 2019 e o segundo maior da série considerada. Em 2018, foram registradas 24 mortes.
Os números apresentam oscilações importantes de um ano para outro. Em 2016, foram 16 mortes em acidentes com helicópteros. Em 2017, foram três. No ano seguinte, o número chegou a 24.
Em 2019, foram 11 mortes, enquanto 2020 terminou com seis. Em 2021, foram registrados dois óbitos, o menor número do período. A partir de 2022, o número voltou a superar dez mortes anuais.
Foram dez mortes em 2022, 14 em 2023, 15 em 2024 e sete em 2025. Com os dados registrados até (23), 2026 já contabiliza 21 mortes.
O número de acidentes também varia de maneira significativa. Em 2016, foram registradas 20 ocorrências. Em 2017, foram 11 e, em 2018, 21. Nos anos seguintes, o painel aponta 19 ocorrências em 2020, 14 em 2021, 20 em 2022, 15 em 2023, 21 em 2024, 14 em 2025 e 15 em 2026.
A quantidade de vítimas, portanto, não acompanha necessariamente a quantidade total de acidentes. Ocorrências com várias pessoas a bordo podem provocar aumento significativo no número de mortes em determinado ano.
O diretor técnico da Associação Brasileira de Aviação Geral (Abag), Raul Marinho, afirmou que os números de 2026 precisam ser observados considerando a quantidade de vítimas em acidentes específicos. Segundo ele, ocorrências com múltiplas mortes podem alterar a estatística anual sem necessariamente representar uma mudança proporcional no número de acidentes.
O acidente que matou Rick é investigado pelo Cenipa e pela Polícia Civil de Santa Catarina. O trabalho do Cenipa tem como objetivo identificar fatores relacionados à ocorrência e produzir informações para prevenção de novos acidentes.
A aeronave envolvida era um Bell 430. A investigação deverá analisar as condições meteorológicas, os procedimentos realizados durante o voo, as condições da aeronave, os registros de manutenção e outros elementos que possam contribuir para esclarecer as circunstâncias da queda.