Sábado, 31 de Outubro de 2026

Home Variedades Adriane Galisteu revela conselho de Pelé que guarda até hoje: “Entrou na minha cabeça”

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Não é difícil reconhecer que Adriane Galisteu é hoje uma das figuras mais longevas da televisão. Aos 53 anos, ela construiu uma carreira sólida, passando pela música e pela atuação. Mas, é como comunicadora que ela construiu seu principal ativo no entretenimento. É por isso que resolveu lançar o videocast Círculo de Fogo, onde vai discutir questões femininas a partir de um marco em sua vida: a passagem do tempo e a chegada da menopausa.

No programa, ela vai mostrar uma de suas principais características: a desinibição. Desde cedo, ela nunca sentiu vergonha de expor seus erros e acertos, seus arrependimentos e conquistas. Nas conversas, ela convida personalidades como Hortência e Wanessa Camargo para reflexões pessoais.

Segundo ela, essa conversa começou em casa. “Minha mãe me ensinou sobre envelhecimento, menopausa e saúde feminina só até a “página 12”. Ela tinha até vergonha de falar sobre isso. Quando eu me vi nesse lugar, passei pela mesma coisa. Com toda a informação que eu tenho, ao me ver na menopausa, pensei: ‘Não vou falar sobre isso’”, diz a apresentadora.

Só que Galisteu entendeu que o silêncio não era resposta. “A chave virou, tanto que me tornei uma das primeiras a levantar essa bandeira. Hoje, há várias mulheres importantes e famosas falando sobre menopausa e saúde feminina. Ainda bem! Quanto mais vozes femininas, melhor. A gente vai abrir esse caminho para a próxima geração entrar sem sofrer o que sofremos.”

Em entrevista à revista Marie Claire, Adriane Galisteu fala do novo projeto, opina sobre o envelhecimento e revela um conselho valioso que leva para lidar com os desafios da vida pública.

A vida diante dos holofotes contribuiu para o seu amadurecimento?

Eu nem sei dizer como isso [o amadurecimento] aconteceu. Sei que comecei com nove anos, aos 12 já estava cantando e com disco de ouro e aos 14 com disco de platina. Na verdade, eu nunca parei. Então foi tudo tão natural que eu não consigo apontar quando foi que as coisas viraram. Elas simplesmente foram acontecendo. Além disso, a minha vida pessoal se mistura muito com a profissional – aliás, elas se fundem completamente. E eu aprendi a ser assim e sinceramente, eu não saberia como viver de outro jeito.

Como você lida com as questões do envelhecimento?

Envelhecer feliz e bem não é uma tarefa fácil. Pelo menos não tem sido para mim. Dá trabalho envelhecer bem e custa caro. Não é uma coisa simples. A gente não tem muita escolha, porque a outra opção é péssima. Então, vamos envelhecer felizes, porque é o que sobrou. Porém, falar que envelhecer é super legal, que é a “melhor idade”, aí eu já não concordo não. Acho que é difícil mesmo, em especial para uma mulher, muito mais do que para um homem. Obviamente, porque nascemos num país onde a voz masculina sempre foi mais alta. Então, a gente cresceu cercada de tantos preconceitos e tabus.

Aos 53 anos, com quais tabus você rompeu?

Eu acho que a menopausa é o principal deles, porque eu achava que isso nunca ia acontecer comigo. Eu nunca fui uma mulher de esconder a idade ou de dizer: “não vou falar sobre isso”. Mas, quando me vi nesse lugar, confesso que senti vergonha, inseguranças e medos. E acho que conseguir romper com isso, poder falar abertamente sobre a menopausa, sobre a saúde feminina, falar da minha idade tranquilamente, olhar no espelho e gostar do que vejo é uma liberdade incrível.

Em todos esses anos de carreira, qual foi o conselho mais valioso que você recebeu?

Acho que o conselho mais valioso foi um que recebi do Pelé (1940-2022), durante um jantar em Paris, onde ele disse: “Aprenda a não ler nada do que falam de você. Porque você não pode se envenenar pela opinião alheia. Você tem que fazer o seu, sempre”. Ele falou para eu não ficar nem muito feliz quando elogiam, nem arrasada quando me criticam, e que ‘tem que seguir em frente’. Aquilo entrou na minha cabeça de uma vez por todas. Então, hoje, sou uma mulher que administra muito bem as críticas. Eu procuro me manter sempre fora desse circuito de exposição nesse sentido. É muito difícil eu abrir a câmera para falar, para me posicionar, me desculpar ou para questionar alguém. Normalmente, eu não fico nesse lugar, é muito difícil de acontecer. Eu já fiz, mas não é o meu habitual. O meu habitual é tocar a minha vida e trabalhar.

E como você lida com os arrependimentos e erros?

Eu já fiz terapia, no momento não estou fazendo. Talvez até esteja na hora de voltar, porque faz tempo que não faço análise. Mas, de uma maneira geral, eu não sou uma mulher saudosista, não fico vivendo no passado. Eu olho para trás só para não tropeçar no mesmo erro. Claro que eu sei que vou errar de novo – sou humana, não estou aqui para acertar todas. Só não quero dar com a cara no mesmo lugar duas vezes. Então, eu aprendo com os tropeços, e é para isso que olho para trás.

Você se considera uma pessoa sonhadora? O que você ainda deseja realizar?

Eu tenho muitos sonhos. Senão, como vai ser? Fica difícil viver essa vida sem sonho e sem vontade. Deus me livre. Eu sou essa mulher que sonha e sou essa mulher que, mais do que sonhar, realiza. Acho que só sonhar não adianta nada, porque você acaba ficando frustrada e não sai do lugar. Então, procuro trazer o sonho para a vida real. Hoje, o meu grande objetivo é realizar todas as vontades e sonhos, não só os meus, mas também os de quem eu puder ajudar.

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