Sábado, 18 de Abril de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 18 de abril de 2026
Preso pela Polícia Federal (PF) sob suspeita de operar propinas do banqueiro Daniel Vorcaro ao ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, o advogado Daniel Monteiro também foi um dos personagens envolvidos na tentativa de venda fracassada do Master à Fictor, na véspera da liquidação do banco.
Daniel Monteiro era um braço direito jurídico de Vorcaro. Tinha vaga na garagem e uma sala dentro do Master, segundo pessoas próximas do banqueiro. Ele está sob suspeita de articular, com Vorcaro, o repasse R$ 140 milhões em propinas ao ex-presidente do BRB, também preso nesta quinta-feira, 16. Os repasses, arquitetados pelo advogado, teriam ocorrido por meio da transferência de seis imóveis de luxo.
Documentos mostram que foi o escritório de Monteiro o responsável pela elaboração da minuta do contrato de venda do banco Master à Fictor, em novembro de 2025. No dia 17 de novembro, a Fictor surpreendeu o mercado ao anunciar um acordo para a compra do Master em consórcio com investidores dos Emirados Árabes. No dia seguinte, porém, o Master foi liquidado, Vorcaro foi preso pela Polícia Federal e investigadores entraram no rastro da Fictor.
As partes do contrato eram uma holding criada pelos sócios da Fictor, Vorcaro, e sua holding nas ilhas Cayman, a Titan. Essa foi a mesma companhia que vendeu, um mês antes da transação, precatórios de usinas de açúcar de mais de R$ 500 milhões à Fictor, por meio de um fundo controlado por Vorcaro.
Dias antes da prisão, Monteiro afirmou que “não tem nenhuma informação a respeito” da transação entre o Master e a Fictor. Mas, além das assinaturas dos sócios, o documento sobre a transação cita diversas vezes o escritório como o contato para assinar, obter cópias ou mesmo expressar o desejo de abandonar o negócio. Procurada, a Fictor não se manifestou sobre o contrato. Sobre a operação da PF, sua defesa afirma que ele foi surpreendido e apenas atuou de forma técnica para o Master.
Carteiras de crédito e cunhado de laranja
A Polícia Federal afirma que o escritório de Monteiro atuou em operações de lavagem de dinheiro da Tirreno, empresa usada por Vorcaro para aquisição de carteiras de crédito consignado supostamente fraudulentas repassadas ao BRB.
Segundo a PF, o advogado também atuou na operação da propina ao ex-presidente do BRB.
“Para operacionalizar o pagamento e ocultar a titularidade real dos bens, teriam sido mobilizados fundos de investimento geridos pela Reag, bem como empresas de fachada, atribuídas formalmente a interpostas pessoas, entre elas o cunhado de Daniel Monteiro”, afirmou a PF.
A representação foi reproduzida na decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, que autorizou a quarta fase da Operação Compliance Zero.
Galo Forte
Outros documentos mostram Monteiro como emissário do banqueiro em outras questões. Uma delas diz respeito ao Atlético Mineiro, time de coração do banqueiro. Vorcaro havia comprado por R$ 300 milhões participação na SAF do time de futebol por meio de um fundo, batizado de Galo Forte.
O Atlético Mineiro enviou uma notificação extrajudicial, aos cuidados de Monteiro, cobrando explicações de Vorcaro após a Operação Carbono Oculto, da Polícia Federal, revelar que o fundo Galo Forte teria como cotistas fundos que estavam sob suspeita de terem sido usados para lavagem de dinheiro de empresários do ramo de combustíveis que teriam relação com integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC).
A defesa de Daniel Monteiro afirma que “ele foi surpreendido, na data de hoje, com a decisão de prisão”. “Ressalta que sua atuação sempre se deu de forma estritamente técnica, na condição de advogado do Banco Master e de diversos outros clientes, sem qualquer participação em atividades alheias ao exercício profissional. Daniel está à disposição da Justiça e confia que os fatos serão integralmente esclarecidos”, afirma. Com informações do portal Estadão.