Sexta-feira, 01 de Março de 2024

Home em foco Alguns cientistas estão comparando a variante ômicron do coronavírus com o sarampo

Compartilhe esta notícia:

O imunologista espanhol Alfredo Corell causou polêmica recentemente ao afirmar que a variante ômicron do SARS-CoV-2 é tão contagiosa quanto o sarampo, um dos vírus mais contagiosos do mundo.

Obviamente, o coronavírus não produz os mesmos sintomas do sarampo. Mas a afirmação de Corell se refere à sua transmissibilidade e não aos seus sintomas. E, nesse sentido, ele está absolutamente certo.

A variante ômicron causou grande furor desde o primeiro momento em que foi detectada na África do Sul, pois acumula grande número de mutações em proteínas que facilitam a entrada do vírus em nosso organismo.

O alvoroço inicial político e midiático não se devia a uma maior gravidade dos sintomas, mas à sua maior capacidade de infecção.

Mas, como aconteceu com outras variantes anteriores, quando uma nova variante é detectada é porque ela já está circulando entre a população.

Por isso, todos os cuidados dos governos com o fechamento das fronteiras foram inúteis. Agora, em vários países, a variante ômicron está prevalecendo sobre as anteriores, incluindo a delta, até então a mais transmissível.

É essa infecciosidade aumentada, tão alta quanto a do sarampo, que torna a ômicron mais preocupante do que outras variantes.

Mas qual é a capacidade de infecção da variante ômicron?

Para determinar a capacidade de dispersão de um organismo patogênico, um parâmetro conhecido como número básico ou taxa de reprodução básica (R₀) é aplicado.

Nada mais é do que o número médio de novos casos que um caso positivo gera durante um período de infecção. Por exemplo, se um patógeno tem um R₀ de 2, significa que uma pessoa infectada infectará duas outras, em média. E isso já faz com que o número de infectados aumente exponencialmente.

O parâmetro R₀ é inerente aos vírus, mas pode variar conforme as condições e depende diretamente do número de contatos.
Em casos de pandemia, é essencial reduzir o R₀ por meio de medidas de confinamento ou quarentena para evitar que uma pessoa infectada infecte outras pessoas. Só assim R₀ é reduzido.

Assim, se o R₀ atinge um valor inferior a 1, o patógeno desaparece com o tempo. Por outro lado, se for maior, o contágio aumenta.

Entre os patógenos mais contagiosos, encontramos o vírus do sarampo, que é transmitido por via aérea e cujo R₀ está entre 12 e 18. Logo abaixo dele, estão a coqueluche, com um R₀ de 12 a 17; difteria, 6 a 7; varíola, poliomielite e rubéola, com um R₀ de 5 a 7.

Curiosamente, embora sejam patógenos muito contagiosos, todos eles foram controlados graças às vacinas. Para todos eles, exceto para a varíola que foi erradicada, temos vacinas dentro do calendário oficial que são injetadas nos primeiros anos de vida.

Ou seja, apesar de sua alta capacidade de contágio, esses patógenos não nos causam mais doenças, exceto surtos que ocorreram principalmente em grupos não vacinados, pois somos imunizados desde a infância.

Escalada

E o R₀ das diferentes variantes do SARS-CoV-2 aumentou à medida que o vírus se espalhou entre os humanos. Um estudo publicado recentemente indica que o R₀ da variante inicial de Wuhan, na China, era de 2,5. Para a variante delta, mais transmissível, o R₀ era de cerca de 7. Já o da ômicron é de 10 — e isso significa que ela tem grandes chances de se tornar a variante prevalente no mundo.

Para contextualizar, a gripe de 1918 tinha um R₀ entre 1,4 e 2,3, inferior ao do coronavírus e muito inferior ao da variante atual. Ao que devemos acrescentar uma situação de mobilidade global muito mais limitada do que a dos dias de hoje. E aí está o problema.

Outro aspecto importante é que ambos os vírus, sarampo e coronavírus, utilizam a mesma via de transmissão: o ar. Apesar das primeiras hesitações sobre seu mecanismo de contágio, já está claro que o SARS-CoV-2 é transmitido principalmente por aerossóis. E esse também é outro fator importante para sua dispersão.

Embora existam outros vírus como HIV (4,2 a 10,6), hepatite C (2,1 a 3,9) e Ebola (1,2 a 1,9) que apresentam R₀ preocupante, seu mecanismo de transmissão é facilmente controlável.

Mas no caso de um vírus transportado pelo ar, com um R₀ alto e um longo período pré-sintomático, os contatos são quase impossíveis de evitar.

A tudo isso devemos acrescentar o fato de que muitas das pessoas infectadas sofrem a infecção de forma assintomática.

Os últimos estudos na Espanha mostram que 30% dos infectados passaram a infecção de forma assintomática ou com sintomas tão leves que não requerem atenção especial.

Isso torna a propagação do vírus ainda mais incontrolável, pois muitas pessoas podem estar contribuindo para a propagação sem perceber.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de em foco

Lançamento do telescópio James Webb poderá ajudar a solucionar questões sobre o passado do cosmo e sobre a vida em outros planetas
Homem explode carro Tesla após descobrir valor do conserto
Deixe seu comentário
Baixe o app da RÁDIO Pampa App Store Google Play

No Ar: Pampa Na Madrugada