Segunda-feira, 26 de Fevereiro de 2024

Home Ciência Lançamento do telescópio James Webb poderá ajudar a solucionar questões sobre o passado do cosmo e sobre a vida em outros planetas

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O Telescópio Espacial James Webb, o maior, mais poderoso e mais caro já produzido, decolou com sucesso neste fim de semana da base aérea de Kourou, na Guiana Francesa. A previsão é que o novo observatório, considerado o sucessor do Telescópio Espacial Hubble, chegue em duas semanas ao local onde ficará orbitando o Sol, a 1,5 milhão de quilômetros da Terra.

O telescópio, que levou 25 anos da concepção ao lançamento e custou cerca de US$ 10 bilhões às agências espaciais americana (Nasa), europeia (ESA) e canadense, decolou em um foguete Ariane 5 da base de lançamento da ESA na Guiana Francesa. Os astrônomos esperam utilizá-lo como instrumento para ver as primeiras galáxias formadas no universo e responder a questões importantes da cosmologia.

“De uma floresta tropical para a borda do próprio tempo, o James Webb começa uma viagem de retorno ao nascimento do universo”, disse Rob Navias, comentarista da Nasa, enquanto narrava a decolagem.

O James Webb, batizado em homenagem ao gerente da Nasa durante os anos das missões Apolo, se separou com sucesso do veículo de lançamento cerca de 27 minutos após a decolagem. Os painéis solares também foram desdobrados com sucesso e estão funcionando conforme o esperado.

A expectativa é que a operação do telescópio, que será coordenada de um centro em Baltimore, no estado americano de Maryland, comece em meados de 2022, após cerca de um semestre calibrando e alinhando seus espelhos e instrumentos.

“Eu estou muito feliz hoje”, disse Josef Aschbacher, diretor da ESA, antes de fazer uma ponderação. “É muito estressante, eu não poderia fazer lançamentos assim todos os dias. Não seria bom para a minha expectativa de vida.”

Origami

O projeto foi um desafio de engenharia do começo ao fim, porque mesmo o francês Ariane 5, o maior foguete disponível para lançar o telescópio, não era capaz de acomodá-lo. A solução foi criar um observatório que se dobra como um origami dentro de um envelope e depois se desdobra. O sistema que opera esse processo é extremamente complexo, com 344 diversos mecanismos envolvendo chips eletrônicos, motores, cabos, roldanas e dobradiças.

As agências acreditam que deva levar cerca de 29 dias para que o James Webb chegue à sua forma final, com a extensão de uma quadra de tênis e cerca de 6,5 toneladas. As únicas partes a serem desdobradas automaticamente foram os painéis solares e a antena. Todo o resto será controlado pela missão na Terra, que decidirá o momento de seguir em frente a depender de como o processo prossegue.

A previsão é que na terça-feira (28) os engenheiros ativem dois braços mecânicos nos lados do observatório para dar sustentação a um escudo solar de 21 metros de altura por 14 metros de comprimento. A estrutura delicada com cinco camadas de um plástico fino e prateado tem por fim proteger os instrumentos científicos do James Webb da luz solar.

O escudo deve começar a ser desdobrado nesta segunda (27), levado cerca de 48 horas para chegar à sua formação final. Há várias etapas consecutivas, mas a principal delas deve ocorrer entre 9 e 13 dias: o espelho coletor de luz será desempacotado, formando a icônica estrutura que lembra uma colmeia. Ela será composta por 18 partes hexagonais e terá 6,5 metros, o triplo do tamanho e sete vezes a sensibilidade do Hubble.

A partir dele, astrônomos esperam conseguir ver as primeiras galáxias formadas no universo e responder a questões importantes da cosmologia. O James Webb observará o universo principalmente no espectro infravermelho, conseguindo ver além das nuvens de gás e poeira onde nascem as estrelas. O Hubble funcionava principalmente nas frequências ultravioleta e próxima da luz visível.

Expectativa

Com tudo pronto, os cientistas já têm alguns pontos no céu para onde querem apontar o telescópio. Um deles, um dos mais aguardados, é uma região conhecida como Campo Ultraprofundo de Hubble, porque foi fotografada pelo telescópio antecessor do James Webb. Nessa zona escura, é possível tentar enxergar muito longe no cosmo, o que significa que os astrônomos podem olhar também para o passado. Agora, cientistas esperam que ela possa ser vista com maior claridade.

Como o cosmo tem 13,8 bilhões de anos de idade, ao olhar para as maiores distâncias os cientistas esperam ver galáxias que se formaram quando o universo tinha apenas 100 milhões de anos, algo essencial para entender sua evolução. Astrofísicos acreditam que as primeiras estrelas a existirem, compostas só de hidrogênio e hélio, eram muito diferentes do Sol e outras estrelas atuais, e os cientistas esperam captar também algo da luz desses astros, hoje extintos.

Um dos alvos é a estrela Trappist-1, na constelação do Aquário, com sete planetas ao seu redor, um sistema visto como candidato a abrigar vida. A ideia é analisar a atmosfera de alguns desses astros e entender sua real condição de habitabilidade.

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