Segunda-feira, 02 de Novembro de 2026

Home Política Aliados avisaram sobre risco de prisão e de senador virar novo Jair

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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi aconselhado por advogados e aliados políticos a evitar questionamentos sobre o resultado das eleições presidenciais e a não repetir o comportamento do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Durante uma reunião realizada após a derrota para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), integrantes de seu grupo político alertaram que insistir na tese de fraude eleitoral poderia levá-lo a enfrentar consequências semelhantes às do ex-presidente, condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.

O encontro ocorreu na segunda-feira (26), um dia depois da derrota de Flávio na disputa presidencial. Segundo relatos de participantes, o senador estava inconformado com o resultado e inicialmente não aceitava a vitória de Lula. Na véspera, havia declarado que não reconhecia o resultado da eleição.

A reunião durou aproximadamente cinco horas e contou com a participação de advogados, parlamentares e aliados da campanha. Entre os presentes estavam o senador Rogério Marinho (PL-RN), o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o advogado Vicente Santini, a economista Daniella Marques e o senador eleito Guilherme Derrite (PP-SP), além dos advogados responsáveis pelas áreas criminal e eleitoral da campanha.

A avaliação predominante foi de que Flávio deveria abandonar a contestação das urnas e evitar uma escalada de tensão institucional. Os advogados defenderam que eventual questionamento deveria ocorrer pela via judicial, por meio de uma ação eleitoral contra Lula, sob a alegação de utilização da máquina pública durante a campanha.

O grupo também recomendou que o senador concentrasse esforços na organização da oposição ao próximo governo e na articulação com os parlamentares de direita eleitos. Uma das primeiras disputas previstas seria a eleição para a presidência do Senado.

Durante o encontro, Flávio teria concordado em entregar seu passaporte italiano à Polícia Federal. A decisão ocorreu depois que ele recebeu uma intimação relacionada a uma investigação sobre suspeita de lavagem de dinheiro. O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), havia autorizado medidas envolvendo os documentos de viagem do senador, incluindo o cancelamento dos passaportes brasileiros e a entrega do documento italiano.

Após a reunião, Flávio gravou um vídeo afirmando que entregaria o passaporte e que não tinha intenção de deixar o Brasil. A gravação precisou ser refeita três ou quatro vezes até chegar ao tom considerado adequado pelos integrantes do grupo.

No entanto, a estratégia mudou poucas horas depois. O advogado Frederick Wassef, considerado mais radical em suas posições políticas, esteve na residência do senador por volta das 18h. Na manhã seguinte, o advogado com quem Flávio havia combinado a entrega do documento tentou entrar em contato, mas não obteve resposta.

Naquele momento, informações sobre a saída do senador do Brasil pela fronteira com a Argentina já circulavam na imprensa. Flávio acabou viajando para os Estados Unidos com a família, onde voltou a questionar o resultado eleitoral e divulgou uma carta de conteúdo contestatório.

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