Sábado, 19 de Setembro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 19 de setembro de 2026
O novo capítulo da crise instalada no Supremo Tribunal Federal (STF) após a entrega de cópia dos dados extraídos do celular apreendido do ex-banqueiro Daniel Vorcaro fez com que os gabinetes impusessem acesso restrito à análise do material. O arquivo compactado, enviado pela Polícia Federal (PF) por determinação de ministros do STF, tem 500 gigabytes (GB). Para se ter uma ideia, esse tamanho comporta cerca de 140 mil imagens em alta resolução, mais de 120 mil arquivos de áudio em formato MP3 e cerca de 40 horas de filmes em alta resolução.
Os dados estão divididos em pastas com chats, áudios e logs (registros de atividades feitas no aparelho). E há um cuidado especial com o tratamento especialmente para manter a privacidade de questões pessoais que possam estar na extração. Outra preocupação é não revelar dados ligados às apurações que ainda não foram deflagradas ou que possam render novas frentes de investigação.
Os dados extraídos foram organizados pela PF utilizando um software para perícia chamado IPED (Indexador e Processador de Evidências Digitais) para organizar e analisar o material coletado. Esse programa facilita a navegação, permitindo buscas por palavras-chave, em conversas e documentos, além de permitir estruturar arquivos. O sistema também gera um código específico que assegura a integridade das provas e permite analisar se houve tentativa de alteração no material.
A PF usou ferramentas para acessar dados apagados ou protegidos por senha. Peritos da polícia utilizaram softwares especializados para copiar o conteúdo completo do aparelho, recuperar fragmentos de dados e rastrear registros de envio de mensagens e arquivos.
A Polícia Federal disse, em nota, que as cópias entregues “são idênticas à extração realizada do aparelho”. O órgão também afirmou que “o material original permanece integralmente nas dependências da instituição, dentro de cadeia de custódia formalmente documentada, com os respectivos lacres íntegros e mecanismos de verificação de integridade digital”.
Disputa pelo acesso
O acesso aos dados do celular ocorreu em meio a uma disputa interna entre ministros pelo acesso irrestrito ao acervo digital de Vorcaro e às vésperas de uma sessão para decidir sobre a abertura de apuração contra Moraes. Zanin e Mendes acionaram o presidente da Corte, Edson Fachin, cobrando acesso à integralidade do espelhamento do aparelho.
Fachin decidiu ouvir Mendonça, relator do Master, que alegou que a divulgação provocaria tumulto no julgamento. Mesmo sem decisão do presidente do Supremo, Zanin, Mendes e Moraes determinaram que a PF enviasse uma cópia. André Mendonça afirmou ainda que a cópia que recebeu da PF era de segurança criptografada e lacrada, funcionando como contraprova caso o original sofresse extravio, e que não havia manuseado a mídia.
O celular foi apreendido pela PF na primeira prisão preventiva determinada pela Justiça ainda em 17 de novembro do ano passado. A extração dos dados identificou que ele tinha interlocução com autoridades dos Três Poderes – incluindo ministros do Supremo e parentes, políticos, deputados e senadores, além de diretores do BC e interlocutores com autoridades.