Sábado, 15 de Junho de 2024

Home em foco Apoio político a Bolsonaro alcança 171 deputados federais. Partidos aliados ao ex-presidente Lula somam 113 parlamentares

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Partidos que apoiam Jair Bolsonaro ganham adesões, reforçando a base da campanha pela reeleição. O PL, partido do presidente, é a sigla que mais cresceu com a permissão para mudanças. Integrante do Centrão, a agremiação política elegeu 33 deputados em 2018 e hoje, após a chegada de bolsonaristas, está com 66 parlamentares. Outras legendas governistas também encorparam. Com isso, a campanha do presidente larga com 171 deputados na disputa.

Como a legislação eleitoral obriga que candidatos ao Parlamento vinculem sua imagem durante a campanha ao presidenciável que seu partido apoia, Bolsonaro terá uma base de ao menos 171 deputados na disputa. O cenário de aparente recuperação do presidente, indicado nas pesquisas, reforçou a impressão no meio político de que estar aliado ao governo pode ser uma garantida de voto. A avaliação é de que um contingente grande de parlamentares que também deverão disputar a reeleição vai ampliar o leque de cabos eleitorais pedindo voto para Bolsonaro.

Somando PL, Progressistas, Republicanos, PSC e PTB, são 171 deputados com Bolsonaro, o equivalente a um terço da Câmara. Já o petista Luiz Inácio Lula da Silva, principal adversário e favorito nas pesquisas, conta com PT, PSB, Solidariedade, PSOL, PCdoB e PV, que representam 113 deputados.

Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), estando no mesmo partido de Bolsonaro ou em alguma legenda de sua coligação, como sinalizam o Progressistas e o Republicanos, os candidatos precisam vincular suas campanhas à do presidente. Isso equivale a deixar gravado em santinhos e outros materiais de campanha o nome de Bolsonaro.

De acordo com levantamento do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), o Republicanos, sigla ligada à Igreja Universal, teve o segundo maior crescimento em relação aos eleitos e passou de 30 para 41 deputados. O terceiro maior aumento foi do Progressistas, que passou de 38 para 46 deputados.

Analista político do Diap, Antônio Augusto de Queiroz afirmou que o crescimento da bancada do PL é algo inédito na história da Câmara, e mostra que Bolsonaro arregimentou uma bancada de apoio que, mesmo no pior cenário, deve levá-lo o segundo turno da disputa presidencial. “É uma candidatura, sem dúvida nenhuma, competitiva.”

O intervalo em que os deputados podem trocar de partido sem o risco de perder o mandato começou no dia 3 de março e termina em 1º de abril. Até o momento, 66 deputados trocaram de legenda pela qual foram eleitos em 2018.

Uma bancada grande na Câmara é importante porque pode impedir a abertura de processos de impeachment contra o presidente e facilita a aprovação de propostas de interesse do governo.

A expectativa de crescimento dos partidos do Centrão já era prevista por líderes, em fevereiro. Com o orçamento secreto e sob a presidência do deputado Arthur Lira (Progressistas-AL), o grupo conquistou um protagonismo inédito.

Das legendas com pré-candidatos a presidente definidos, o PL foi a que mais cresceu. O PSDB registrou aumento de dois deputados, mas vai sofrer uma debandada nos próximos dias. O Podemos, do ex-ministro Sérgio Moro, recuou de 11 para 9 deputados. Diego Garcia (PR) foi para o Republicanos e José Medeiros (MT), para o PL. Ambos são bolsonaristas e críticos de Moro.

O PT passou dos 54 eleitos em 2018 para 53. No entanto, isso aconteceu porque o deputado Josias Gomes se licenciou do mandato para ser secretário de Desenvolvimento Rural da Bahia. Até o fim da janela, o PT deve filiar mais quatro deputados. São eles Flávio Nogueira (PDT-PI), Gastão Vieira (PROS-MA) e Rubens Júnior (PCdoB-MA). No saldo final, o partido deve ficar com 56 representantes porque Gomes vai voltar ao mandato e Marília Arraes (PT-PE) vai entrar no Solidariedade. O PDT, de Ciro Gomes, perdeu seis deputados em relação aos eleitos e está com 22 parlamentares.

O líder do PT, deputado Reginaldo Lopes (MG), minimizou o crescimento do Centrão e disse que as siglas não vão manter o tamanho após a eleição. “Isso só dura até o dia da eleição, 2 de outubro”, afirmou. “Essa concentração é ruim para eles. Acho que eles não conseguem eleger todos. A pulverização é mais acertada que a concentração.”

A principal migração ocorreu do antigo PSL para o PL. Deputados da tropa de choque bolsonarista, como Carla Zambelli (SP) e Eduardo Bolsonaro (SP), decidiram não ficar no União Brasil e foram para o partido ao qual o presidente da República se filiou em novembro do ano passado. O PL é comandado pelo ex-deputado Valdemar Costa Neto, que foi condenado no mensalão. Em nenhuma eleição a sigla elegeu mais de 50 deputados.

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