Sexta-feira, 20 de Maio de 2022

Home em foco Atolado em escândalo, o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, busca fortalecer sua autoridade

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O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, buscava nesta semana reforçar sua autoridade depois que uma assessora próxima pediu demissão por falsa alegação do premiê de que o líder do Partido Trabalhista, de oposição, não processou um notório abusador sexual infantil.

Johnson, que em 2019 conquistou a mais ampla maioria conservadora desde Margaret Thatcher, tem se recusado repetidamente a renunciar devido a revelações de que ele e alguns de seus aliados participaram de festas na residência oficial de Downing Street durante o lockdown para conter a disseminação da covid.

Essas revelações levantaram questões sobre o estilo de liderança muitas vezes caótico de Johnson e levaram à maior ameaça a ele desde que assumiu o cargo. Elas ocorrem após uma série de outros escândalos.

Johnson admitiu que problemas precisam ser resolvidos no coração de Downing Street, que serve tanto como sua casa quanto o centro do Estado britânico.

Munira Mirza, sua chefe de política que trabalhou com ele por 14 anos, deixou o cargo na última quinta-feira devido à alegação de Johnson de que o líder trabalhista, Keir Starmer, não processou o pedófilo Jimmy Savile durante seu período como diretor de promotoria pública (DPP).

O ministro das Finanças de Johnson, Rishi Sunak, disse incisivamente que ele não teria feito tal observação. Starmer classificou o comentário de Johnson como um insulto ridículo — e teoria da conspiração — que mostra que Johnson não é adequado para ser líder britânico.

Ministros apresentaram três demissões adicionais, seguindo Mirza, como evidência de que Johnson estava resolvendo os problemas em Downing Street e “assumindo o comando”, embora permanecesse uma irritação considerável contra Johnson dentro de seu próprio partido.

“Estou profundamente preocupado com o que está acontecendo”, disse Huw Merriman, parlamentar conservador que preside o comitê seleto de transporte, à rádio BBC.

Merriman disse que, se um primeiro-ministro não se encaixou, ele teria que partir, acrescentando que muitos eleitores conservadores estavam chateados e entristecidos com os recentes eventos nos mais altos níveis do Estado britânico.

Um integrante da unidade política de Johnson também se demitiu na sexta-feira, disse o editor do site Conservative Home. Downing Street se recusou a fazer comentários imediatos.

Relatório

Foi tornada pública recentemente a investigação civil em torno das confraternizações promovidas na sede do governo do Reino Unido durante o lockdown. O chamado relatório Sue Gray atribuiu a um “fracasso de liderança e de julgamento” o fato de festas terem sido promovidas em Downing Street nos momentos mais rígidos de restrição ao distanciamento social.

A servidora pública Sue Gray investigou as circunstâncias de 16 eventos — dos quais três ainda não tinham chegado ao conhecimento do público — entre maio de 2020 e abril de 2021. Todas aconteceram em Downing Street ou nos gabinetes ministeriais, além de uma que ocorreu dentro do Departamento de Educação.

Esses eventos incluem um encontro com drinques no jardim de Downing Street — ao qual Johnson compareceu — em 20 de maio de 2020 e também uma comemoração do aniversário de Johnson, no chamado Cabinet Room (sala de reuniões ministeriais), em 19 de junho de 2020.

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