Terça-feira, 27 de Outubro de 2026

Home Porto Alegre Avança a qualificação do sistema contra enchentes na Zona Norte de Porto Alegre

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O Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae) projeta para os próximos dias a conclusão do processo definitivo de instalação de bombas flutuantes de alta capacidade na estrutura de proteção proteção contra enchentes  nos bairros Anchieta e Sarandi, Zona Norte de Porto Alegre. A obra abrange dois pôlderes – porções de terreno planas  abaixo do nível da água, com diques e controle mediante drenagem artificial.

Tubulações de grande porte, de polietileno de alta densidade (Pead), ligarão o bombeamento, posicionado na parte protegida do pôlder, ao rio Gravataí. Assim, se o pôlder for fechado, a água da chuva poderá ser bombeada para o rio.

A obra de proteção dos pôlderes 7 e 8 custou R$ 66 milhões, valor que inclui os serviços de engenharia e a compra de equipamentos como eletrocentros e geradores. Um estudo feito pelo Dmae com consultores especializados mostrou que a intervenção não traz impacto negativo relevante para os municípios vizinhos da capital gaúcha.

O corpo técnico trabalha na conclusão do anteprojeto da obra definitiva de proteção contra cheias na região, orçada em R$ 300 milhões. A intervenção foi autorizada pelo governo federal em 11 de setembro e prevê, entre outras obras, a construção de duas novas Estações de Bombeamento de Águas Pluviais (Ebaps).

Outras obras

O prédio da Usina do Gasômetro também passou por obras de proteção contra cheias. As antigas câmaras de resfriamento, que ligavam a estrutura histórica diretamente ao Guaíba, foram permanentemente fechadas com concreto.

A Usina recebeu, ainda, comportas metálicas herméticas para impedir que, em caso de cheia, o Guaíba entre na cidade pelas portas e janelas. Ao todo, 46 barreiras de proteção móveis foram instaladas, com investimento de R$ 690 mil.

Permanece em andamento a implantação de dupla alimentação de energia elétrica em 37 estações do Dmae, incluindo 22 casas de bombas de drenagem. A obra tem investimento de R$ 18 milhões e será concluída até novembro pela concessionária CEEE Equatorial.

Também avançam em as obras de resiliência climática nas Estações de Bombeamento de Águas Pluviais (Ebaps) 1, 3, 4, 5, 6, 8, 10, 12, 17, 18 e 20. Em todas as unidades, parte das bombas verticais será substituída por modelos submersíveis, mais adequados para operação em situações extremas. Os painéis de comando serão elevados, e geradores de energia passarão a ser instalados de forma permanente.

Equipes da prefeitura, lideradas pela Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura (Smoi), atuam na demolição das residências desocupadas no dique do Arroio Areia. As famílias que residiam na Vila Dique foram acolhidas por meio dos programas Compra Assistida e Estadia Solidária.

Já no dique do Sarandi, o Departamento Municipal de Habitação (Demhab) atua no acolhimento das famílias que residem na área do Trecho 3. A última etapa de intervenções na estrutura de proteção contra cheias, com dois quilômetros de extensão, será iniciada assim que a área estiver liberada.

Os trechos 1 e 2 do dique já tiveram a reconstrução concluída, totalizando 1,5 quilômetro de estrutura com cota superior a 5,8 metros em relação ao rio Gravataí. O mesmo ocorreu no dique junto à sede da Fiergs, que passou por obras de julho de 2024 e janeiro do ano passado. O Muro da Mauá, no Centro Histórico, também recebeu intervenções, com revisão estrutural e correção de problemas.

Já as obras de proteção nas Estações de Bombeamento de Água Bruta (Ebabs) Moinhos de Vento e Menino Deus foram concluídas. Nas duas estruturas, as intervenções incluíram a construção de câmaras de descarga junto aos poços de visita, solução que impede a entrada da água das cheias pelas estruturas de acesso às tubulações.

Também estão finalizadas as obras de proteção contra cheias nos condutos forçados Álvaro Chaves, Polônia, Miguel Couto e Areia. Novas tampas herméticas, projetadas para suportar a pressão exercida pela água em eventuais elevações do nível do Guaíba e do rio Jacuí, foram instaladas junto às tubulações.

Outra iniciativa concluída é a proteção da cidade junto à malha ferroviária, no bairro Humaitá. A obra eliminou um ponto de vulnerabilidade existente no sistema desde a implantação da ferrovia, quando a cota de proteção foi reduzida. Os trabalhos ocorreram em área concedida pela União à empresa Rumo Logística.

A modernização das comportas do sistema de proteção contra cheias está concluída. Das 14 passagens existentes no sistema até a cheia histórica de 2024, oito foram substituídas por estruturas permanentes em concreto armado: 3, 5, 7, 8, 9, 10, 13 e 14. Já as comportas 11 e 12 foram integralmente substituídas por novas estruturas móveis, enquanto as comportas 1, 2, 4 e 6 passaram por um processo completo de recondicionamento.

(Marcello Campos)

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