Segunda-feira, 03 de Agosto de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 2 de agosto de 2026
A pouco mais de dois meses da eleição presidencial, o cenário político brasileiro passou a ganhar peso nas análises de instituições financeiras internacionais. O tema, que até então aparecia de forma mais secundária nos relatórios voltados aos mercados emergentes, passou a ser tratado como um dos principais fatores de risco para a precificação dos ativos brasileiros.
Com a aproximação da disputa eleitoral, bancos estrangeiros vêm adotando uma postura mais cautelosa em relação ao país, reduzindo o entusiasmo com apostas de longo prazo na valorização do real e reforçando uma estratégia mais seletiva diante das incertezas sobre o ambiente político e fiscal.
Nos últimos meses, a moeda brasileira figurou entre as preferidas de investidores internacionais, impulsionada pelo diferencial de juros e pela percepção de que poderia continuar oferecendo boas oportunidades de retorno. Entretanto, o avanço do calendário eleitoral e as dúvidas em torno dos rumos da política econômica fizeram parte desse otimismo perder força. Em vez de ampliar posições em ativos brasileiros, algumas instituições passaram a revisar suas estratégias e reduzir a exposição ao mercado nacional até que haja maior clareza sobre o resultado das urnas e os desdobramentos para a economia.
Um exemplo dessa mudança de percepção veio do Société Générale. O banco francês decidiu encerrar duas operações que apostavam na valorização do real frente ao euro e ao peso chileno. Além disso, a instituição endureceu os limites de perda, conhecidos no mercado como “stop”, em posições ligadas ao mercado de juros, numa tentativa de reduzir os riscos caso as taxas futuras sofram uma alta expressiva em meio ao aumento da volatilidade.
Ao explicar a revisão de sua estratégia, o banco apontou diretamente a proximidade das eleições presidenciais como um dos fatores que motivaram a mudança de posicionamento em relação aos ativos brasileiros. A avaliação é de que o ambiente político passou a representar um elemento relevante para o comportamento dos mercados no curto prazo, especialmente diante das discussões sobre política fiscal e da incerteza em torno do resultado da disputa eleitoral.
“Nós rebaixamos a nossa posição no mercado de câmbio do Brasil para ‘neutra’, já que a possibilidade de uma política fiscal mais frouxa antes das eleições e um mercado potencialmente subestimando uma vitória de Lula tornam a moeda menos atrativa no curto prazo”, afirma a chefe global de pesquisa em mercados emergentes do Société Générale, Phoenix Kalen, em relatório enviado a clientes.
Na avaliação da instituição francesa, parte do mercado ainda atribui uma probabilidade menor do que a considerada pelo banco para uma reeleição do atual governo, cenário que, segundo a análise, pode influenciar o comportamento dos investidores e a precificação dos ativos brasileiros nas próximas semanas. (Com informações do Valor Econômico)