Terça-feira, 17 de Maio de 2022

Home Mundo Biden anuncia proibição de aviões russos nos EUA e diz que Putin “pagará um alto preço”

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No seu primeiro discurso sobre o Estado da União, na noite desta terça-feira (1º), o presidente dos EUA, Joe Biden, fez uma contundente defesa da união do Ocidente, em especial dos países da Otan, diante da invasão da Ucrânia pela Rússia, quase uma semana depois das tropas cruzarem as fronteiras e iniciarem uma campanha de bombardeios contra várias cidades. Na fala, ele anunciou que as aeronaves russas não poderão mais voar no espaço aéreo americano.

“A guerra de Putin foi premeditada e sem provocação. Ele rejeitou repetidos esforços pela diplomacia. Ele pensou que o Ocidente não responderia. E ele pensou que poderia nos dividir aqui em casa”, disse Biden, se referindo em alguns momentos ao líder russo como “ditador”. “Putin estava errado. Nós estávamos prontos. Nós estamos unidos e nós permanecemos unidos”.

Apesar de não ter um envolvimento direto militar na guerra da Ucrânia, o que poderia levar a um conflito aberto contra a Rússia, os países da Otan vêm oferecendo equipamentos militares defensivos e não letais para ajudar o governo local na resistência – no final de semana, a União Europeia anunciou que iria destinar 450 millhões de euros em armamentos para a Ucrânia, e defendeu que os países do bloco considerem enviar aeronaves para Kiev.

Biden também mencionou a série de pacotes de sanções aplicadas globalmente contra a Rússia, incluindo o corte de bancos do sistema de pagamentos internacionais Swift, o corte de relações com o BC russo e a inclusão de dezenas de políticos, empresários e jornalistas pró-Moscou em listas de congelamento de bens e bloqueio de viagens. Entre eles, o próprio Putin, o chanceler, Sergei Lavrov, e o secretário de Imprensa, Dmitry Peskov.

“Ao longo da História, aprendemos essa lição: quando ditadores não pagam um preço por suas agressões, eles causam mas caos. Eles seguem em frente. E os custos para os EUA e o mundo continuam a aumentar”, declarou, defendendo a aplicação das medidas e sinalizando que poderá ir além, mencionando especificamente os oligarcas russos.

Nesta terça, ele usou o discurso para mais um anúncio: a partir de agora, estarão banidos os sobrevoos de aeronaves russas pelo espaço aéreo americano — com isso, os EUA se juntam a um grupo de mais de 30 países que já baniram os aviões russos.

“Mesmo que tenha ganhos no campo de batalha, ele [Putin] pagará um alto preço a longo prazo”, apontou Biden.

No plenário da Câmara estava a embaixadora da Ucrânia em Washington, Oksana Markarova, sentada ao lado da primeira-dama, Jill Biden, e algumas parlamentares usavam roupas azuis e amarelas, uma referência às cores da bandeira ucraniana. Logo no início do discurso, Biden prestou uma homenagem ao povo ucraniano e ao presidente Volodymyr Zelensky, e ao que apontou como coragem na resistência contra a Rússia.

“Putin calculou muito mal. Ele pensou que poderia entrar na Ucrânia e o mundo não prestaria atenção. Ao invés disso, ele encontrou uma parede de força que nunca antecipou ou imaginou. Ele encontrou os ucranianos”, afirmou, sendo efusivamente aplaudido neste trecho da fala.

Contudo, Biden, ao declarar a aliança entre os EUA e a Ucrânia e como Putin jamais roubaria a vontade dos ucranianos, mencionou a expressão “povo iraniano”. Ele não se corrigiu em sequência.

Com índices de aprovação perto dos 41%, um índice preocupante para um presidente que há um ano no cargo, Joe Biden tentou demonstrar aspectos positivos de seus meses à frente da Casa Branca e passar um discurso de união. No caso da Ucrânia, por exemplo, a apresentação das duras sanções contra Moscou tentou retirar de si as críticas pelo que era visto como falta de ação dos EUA diante da intensa pressão do Kremlin (e das quase 200 mil tropas nas fronteiras).

Segundo pesquisa Reuters/Ipsos, 47% dos americanos desaprovam a forma como ele lidou com a crise, um número alto mas que apresentou queda em relação à semana pasasada. Os que aprovam suas ações são agora 43%, acima dos 34% registrados no mês passado.

No plenário, quase ninguém usava máscaras: no domingo, o médico do Capitólio anunciou que elas não seriam mais obrigatórias no complexo.

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