Domingo, 12 de Julho de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 11 de julho de 2026
Os juros futuros, que estimam a Taxa Selic e a inflação nos próximos anos, desabaram na sessão desta sexta-feira. A queda, afirmam analistas, foi uma reação ao IPCA de junho, que subiu 0,16%, uma alta menor do que esperada pelo mercado financeiro.
O movimento contribuiu com uma alta firme do principal índice da Bolsa, o Ibovespa, que fechou em avanço de 2,97%, aos 177.866 pontos. É o maior ganho diário desde 23 de março. O dólar teve leve baixa de 0,28%, a R$ 5,10.
— É um dado mais benigno, uma surpresa positiva que já não tínhamos há alguns meses. E deixa em aberto a possibilidade do Banco Central continuar o ciclo de afrouxamento monetário — avalia Marianna Costa, economista-chefe da Mirae Asset, que viu o desempenho da curva dos juros futuros como reflexo do dado.
No encerramento da sessão, a taxa do Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 caiu a 13,90%, ante fechamento a 14,02% na quinta-feira. Para janeiro de 2030, o DI cedeu a 14,115%, ante 14,31% na véspera.
O Bank Of America disse em relatório, após a divulgação do IPCA de hoje, ver espaço para o BC cortar a Selic a 14% na próxima reunião, em agosto. A leitura do chefe de economia para o Brasil do banco, David Beker, é somada a um cenário externo mais favorável, como o petróleo beirando os US$ 80. Para setembro, uma nova redução da Taxa Selic a 13,75% não é descartada pelo banco americano, que vê a dinâmica do preço do petróleo como fator fundamental para o possível movimento.
Menos juros, mais apetite ao risco
Apenas um dos 78 papéis participantes do Ibovespa encerrou em baixa nesta sexta-feira. A alta diária firme do índice, a maior em pouco mais de três meses, foi reflexo do IPCA mais baixo:
— Com inflação mais baixa, o mercado acredita que o Banco Central tem mais espaço para cortar juros. E juros é um fator primordial. Podendo cair, os ativos de risco acabam se beneficiando — diz João Matos, gestor de ações da Bradesco Asset Management.
Ele afirma que os juros são os principais balizadores dos investimentos nas companhias listadas. Isso porque, com a redução da taxa básica, títulos atrelados à ela tendem a reduzir a atratividade na comparação com a renda variável:
— Se o juro cai, o custo de oportunidade cai. Para ter uma rentabilidade melhor, o investidor precisa colocar dinheiro em ativos de mais risco — compara. A redução dos juros também diminui o endividamento das empresas, sobrando mais espaço para a distribuição de dividendos, e tende a aumentar o apetite às compras da população por conta da diminuição do custo de crédito, o que se converte em resultados mais positivos das companhias.
Ainda que singela, a redução de 0,38% do barril do petróleo tipo Brent (referência internacional) nesta sexta-feira, aos US$ 76,01, também contribuiu com o aumento do apetite ao risco em todo o mundo.
Estados Unidos e Irã afirmaram nesta sexta-feira que mantém as discussões técnicas após ataques entre os dois lados, movimentos que impuseram dúvidas sobre a continuidade de um acordo que mantém livre o fluxo no Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do petróleo mundial, além de gás natural e fertilizantes.
As Bolsas de Nova York encerraram em leve alta. O Dow Jones subiu 0,29%, aos 52.637 pontos. O S&P 500 avançou 0,42%, aos 7.575 pontos, e o Nasdaq teve alta de 0,29%, aos 26.281 pontos.
— É um cenário propício à tomada de risco. Olhando para a Bolsa, veja o desempenho do setor financeiro, que puxa o índice por conta da expectativa de queda de juros — diz Marianna, da Mirae. Próximo ao encerramento, os papéis do Itaú subiram 4,02%, o BTG Pactual avançou 5,48% e o Bradesco valorizou 4,78%.
Com a alta de hoje, o Ibovespa acumula valorização de 10,4% em 2026 e 3,4% em julho. Com informações do portal O Globo.