Domingo, 28 de Novembro de 2021

Home Economia Brasileiro nunca investiu tanto lá fora: busca por investimentos financeiros no exterior registrou alta de 44% este ano

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Entre os fatores que pesam nesse movimento estão a trajetória de queda dos juros (interrompida neste ano) e a recente instabilidade política. Segundo o Banco Central, o total de investimentos financeiros fora do País somou US$ 61,6 bilhões de janeiro a agosto, alta de 44% em relação ao fim de 2020. Nem o dólar valorizado esfriou essa procura por segurança.

“Investir no exterior deixou, há muito tempo, de ser uma proteção cambial. É uma diversificação”, diz o responsável pela área de gestão de fortunas do BTG Pactual, Rogério Pessoa. Segundo ele, apesar de o mercado brasileiro estar a cada dia mais sofisticado, os EUA oferecem um leque de produtos muito maior. Hoje, o banco recomenda aos clientes muito ricos – com mais de R$ 10 milhões para investir – uma alocação de 30% no exterior. A média para esse público, atualmente, está entre 15% e 20%.

Embora momentos turbulentos, como o da crise política, incentivem as pessoas a olhar para fora, o executivo do BTG diz que investimento sempre requer calma. “O importante, no fim do dia, é ter um portfólio balanceado.”

O Itaú Unibanco tem hoje cerca de 27% do patrimônio de seus clientes aplicados fora do Brasil. O diretor do Itaú Private Bank, Felipe Nabuco, diz que esse porcentual vem subindo por razões óbvias. “Nos últimos dez anos, o mercado internacional teve um desempenho bem melhor do que o daqui.”

Pequeno

A Avenue, corretora americana de ex-sócios da XP, bateu recorde de novas contas e hoje tem 350 mil clientes. “Hoje, o pequeno investidor pode ter acesso às mesmas opções da alta renda”, explica o sócio Alexandre Artmann.

O cenário de desvalorização do real frente ao dólar tem feito investidores brasileiros procurarem novas formas de preservar o seu poder aquisitivo. Antes, este processo era realizado somente por grandes investidores, mas hoje já não é mais assim: é possível se expor a mercados internacionais tendo pouco dinheiro.

Em alguns casos, a burocracia é mínima e semelhante a aplicar recursos dentro do país.

Menor custo

Os fundos de investimento no Brasil podem cobrar até 4% ao ano de taxa de administração. Caso queira realizar as aplicações diretamente em uma instituição estrangeira, os gastos com abertura e manutenção de conta, operações de câmbio e envio de recursos podem comprometer parte da rentabilidade, além de dificultar o investimento.

Segurança

Apesar de o Brasil ter se livrado da instabilidade extrema vivida nas décadas de 1980 e 1990, a estabilidade econômica está longe do ideal e investidores não gostam de colocar seu dinheiro em locais de alto risco.

O mercado doméstico é bastante sensível aos problemas de ordem socioeconômica e tributária e, ainda, turbulências políticas podem causar mudanças bruscas na economia brasileira.

A alocação de investimentos no exterior pode ajudar a equilibrar eventuais riscos causados por épocas de incerteza no mercado local, quando os investimentos em renda fixa e variável não estão em sua melhor performance.

Diversificação

Em comparação a outros mercados, os produtos financeiros disponíveis no Brasil são bastante limitados. Só para ter uma ideia, o total de empresas com ações negociadas na Bolsa de Valores brasileira não ultrapassa 400. Este foi o número de novas organizações listadas na bolsa Nasdaq apenas no primeiro semestre de 2021. A bolsa eletrônica tem aproximadamente 4 mil opções de ações para investimento.

Isso permite uma grande diversificação da carteira, com investimentos em diferentes regiões geográficas e moedas, além de classe de ativos.

Rentabilidade

A grande estabilidade da economia de países desenvolvidos geralmente proporciona uma maior rentabilidade. Entre 21 de setembro de 2020 e 20 de setembro de 2021, por exemplo, o Ibovespa teve um crescimento de 11%, enquanto o índice da Bolsa de Valores de Nova York cresceu 28% e o índice Nasdaq subiu 36%.

Além disso, os investimentos no exterior estão atrelados a uma moeda estrangeira, como o dólar ou o euro, que são mais fortes que o real. Dessa maneira, o investidor não arrisca ter a sua remuneração reduzida pela desvalorização ou inflação sobre a moeda brasileira.

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