Domingo, 17 de Maio de 2026

Home Política Campanhas para criticar ministros e defender mudanças no Supremo explodem nas redes sociais e tribunal vira tema eleitoral

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O Supremo Tribunal Federal (STF) passou a ocupar espaço permanente na propaganda política digital no País. Em meio à aproximação das eleições de 2026, o volume de anúncios pagos sobre a Corte nas redes sociais cresceu mais de 50 vezes desde 2020. Políticos, pré-candidatos e páginas de grupos de militância intensificaram o uso de campanhas digitais para criticar ministros, defender mudanças no Supremo ou mobilizar apoiadores em torno da atuação da Corte.

Levantamento feito pelo portal  Estadão na biblioteca de anúncios da Meta, considerando os quatro primeiros meses de cada ano desde 2020, mostra que o volume de resultados de campanhas pagas sobre o STF com circulação nas plataformas da empresa saltou de cerca de 95 resultados entre janeiro e abril de 2020 para aproximadamente 4,9 mil no mesmo período de 2026.

Só entre janeiro e abril deste ano, foram identificados cerca de 4,9 mil resultados, número superior à soma dos três primeiros anos da série histórica, entre 2020 e 2022. O salto coincide com os primeiros anos do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, período em que o STF passou a se consolidar como alvo frequente de questionamentos por parte de políticos e grupos de militância nas redes sociais.

Os impulsionamentos abrangem plataformas da Meta, como Facebook, Instagram e WhatsApp. Em alguns casos, campanhas criadas em anos anteriores continuaram sendo exibidas e contabilizadas nos períodos analisados.

O movimento é liderado principalmente por políticos e, em especial, pré-candidatos ao Senado, que passaram a usar o tribunal como instrumento de posicionamento público às vésperas da disputa presidencial de 2026. Para especialistas ouvidos pelo Estadão, críticas à atuação de ministros e aos limites dos poderes da Corte fazem parte do debate eleitoral, embora ataques institucionais e a disseminação de informações falsas possam levar a questionamentos na Justiça Eleitoral.

As campanhas pagas vão desde críticas aos poderes do Supremo e à conduta de ministros do STF, como Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, em meio às revelações sobre ligações de ambos com o Banco Master, até temas relacionados às polêmicas recentes envolvendo Gilmar Mendes e à rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo no Senado.

Um dos exemplos é o senador Carlos Portinho (PL-RJ), que, em campanha veiculada em março de 2026, defendeu a redução dos poderes do STF. Em outra peça impulsionada em 2025, o parlamentar afirmou que “o STF está preocupado com a possibilidade de um Senado alinhado ao presidente Bolsonaro depois das eleições de 2026”.

Na mesma linha, o senador Zequinha Marinho (Podemos-PA), que pretende disputar a reeleição no Pará, comemorou em anúncios impulsionados a rejeição da indicação de Jorge Messias ao STF. O parlamentar afirmou que a votação “mostrou para o Brasil” que a composição do Supremo “é determinada pelo Senado Federal”.

O senador Vanderlan Cardoso (PSD-GO), que busca a reeleição, veiculou em 2025 um vídeo no qual afirma ter assinado, ainda em 2024, um pedido de impeachment contra Moraes.

Pré-candidatos ao Senado também passaram a usar o STF como eixo de campanha. Levantamento da Quaest, divulgado em março, mostra que 66% dos brasileiros consideram importante votar em candidatos à Casa Alta que defendam o impeachment de ministros do Supremo.

Entre eles está o deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO), um dos principais nomes do PL para disputar o Senado em Goiás. Em vídeo impulsionado em janeiro de 2026, o parlamentar afirmou que “a única chance que o Brasil tem de virar a página e voltar a ter sanidade é se nós fizermos maioria no Senado”, porque “só o Senado tem a prerrogativa de fazer o impeachment do STF”.

O deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ), que já manifestou o desejo de disputar a Casa Alta pelo Rio, impulsionou um vídeo em 2025 chamado “Golpe de Estado do Supremo”, no qual critica os “poderes excessivos” dos ministros e mudanças feitas pelo ministro Gilmar Mendes nas regras de impeachment da Corte, que tornaram mais difícil a abertura desse tipo de procedimento no Senado.

Ministros do STF acompanham com preocupação o avanço das campanhas eleitorais que passaram a adotar críticas à Corte como bandeira política na disputa de 2026. Nos últimos dias, críticas ao Supremo foram incorporadas aos discursos do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e, principalmente, do ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo). Nesta sexta-feira, Zema foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por calúnia contra Gilmar Mendes, por conta de um vídeo com tom irônico em que ele insinua que o ministro teria blindado o colega Dias Toffoli no caso do resort Tayayá. O caso tramitará no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

No campo governista, o próprio PT aprovou, no último dia 26, um documento em que cobra a “autocorreção” do Judiciário.

Ao mesmo tempo, ministros da Corte também têm dado sinais de que podem atuar diretamente em casos com potencial impacto eleitoral e, na prática, contornar a atuação do Tribunal Superior Eleitoral ao reagirem a ataques e discursos de candidatos contra integrantes do Supremo.

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