Sexta-feira, 19 de Agosto de 2022

Home Saúde Câncer de próstata: especialistas alertam para risco de detecção tardia

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Especialistas da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, alertaram que muitos casos de câncer de próstata estão sendo detectados tarde demais. Eles creditam isso ao fato de campanhas e diretrizes de saúde se concentrarem em associar a doença à presença de sintomas urinários.

Em artigo publicado na revista científica BMC Medicine, os pesquisadores afirmam que isso não apenas é inútil como está equivocado e dificulta a detecção de casos iniciais e tratáveis de câncer de próstata.

“Quando a maioria das pessoas pensa nos sintomas do câncer de próstata, elas pensam em problemas com xixi ou necessidade de fazer xixi com mais frequência, principalmente durante a noite. Essa percepção errônea durou décadas, apesar de muito pouca evidência, e está potencialmente nos impedindo de detectar casos em um estágio inicial”, disse Vincent Gnanapragasam, professor de urologia da Universidade de Cambridge e consultor honorário de urologista do Hospital Addenbrooke. em comunicado.

O médico Alfredo Canalini, presidente da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), explica que, em geral, problemas urinários são causados pelo aumento benigno da próstata, que é um processo que ocorre naturalmente no organismo masculino, à medida que os homens envelhecem. Segundo ele, em 40% dos casos de aumento benigno da próstata há obstrução da passagem da urina.

Por outro lado, os tumores malignos são assintomáticos em estágio inicial e poucas pessoas sabem disso. Um estudo anterior descobriu que 86% do público associava o câncer de próstata a sintomas, mas apenas 1% sabia que poderia ser assintomático.

Além disso, estudos indicam que, em casos de câncer, a próstata tende a ser até menor que o normal. O estudo PROTECT, feito no Reino Unido, chegou a dizer que a falta de sintomas urinários pode, de fato, ser um indicador de maior probabilidade de malignidade.

— O câncer não pode ter sua base diagnóstica nesse tipo de sintoma. Quando o diagnóstico da doença é feito baseado em algum sintoma, há 90% de probabilidade de já estar em fase avançada. Por isso, é necessário que os homens, em especial aqueles de risco, façam exames para o diagnóstico precoce do câncer de próstata — afirma Canalini.

Fatores de risco

Afrodescendentes, histórico familiar (parentes e 1º grau com a doença) e obesidade são os principais fatores de risco para a doença. A avaliação da próstata é baseada em dois exames iniciais: o toque retal, onde o médico consegue avaliar se existe algum nódulo de consistência mais endurecida na próstata, e o exame de PSA. Esse é um exame de sangue que faz a dosagem da proteína antígeno prostático específico (PSA), que é produzida apenas pela próstata.

A SBU recomenda que homens do grupo de risco façam consultas periódicos e realizem anualmente o exame de PSA, a partir dos 45 anos de idade. Para a população em geral, a recomendação é a partir dos 50 anos.

— O diagnóstico precoce significa aumento da probabilidade de cura, que chega a 80% nesses casos — pontua o presidente da SBU.

— O homem tem que perder o medo. Há um hábito nos homens de só procurarem médico quando sentem algo. Isso, na maioria das vezes, dificulta o diagnóstico precoce da doença. Eles precisa, encarar o cuidado com a saúde de maneira mais séria — complementa Canalini.

Sintomas

Canalini ressalta que quando o câncer de próstata apresenta sintomas, a doença já está avançada. Mesmo que sejam sintomas urinários semelhantes aos do crescimento benigno da próstata, como dificuldade de urinar e necessidade de urinar mais vezes durante o dia ou à noite. Segundo informações do Instituto Nacional do Câncer (Inca), outros sintomas sugestivos da doença incluem demora em começar ou terminar de urinar, sangue na urina e diminuição do jato de urina.

Nessa fase, também pode haver a presença de sintomas decorrentes do acometimento de outros órgãos, como dor óssea, infecção generalizada e insuficiência renal.

 

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