Quinta-feira, 18 de Julho de 2024

Home em foco Casa Branca e republicanos chegam a acordo para evitar calote nos Estados Unidos

Compartilhe esta notícia:

A Casa Branca e a oposição republicana chegaram a um acordo, em princípio, para elevar o teto do endividamento do governo e evitar o que seria um potencialmente catastrófico calote da dívida da maior economia do mundo. As negociações chegaram a um desfecho depois de semanas de dúvidas sobre a disposição dos dois lados em ceder em um tema que periodicamente assombra os governantes nos Estados Unidos. A votação deve ocorrer na quarta-feira (31), mas o caminho até lá, apesar do acerto, promete ser espinhoso.

Segundo o New York Times, a proposta tem dois pontos centrais. O primeiro, que era o mais importante para o governo de Joe Biden, diz respeito à elevação em si do teto do endividamento público por dois anos, o que significa que não haverá necessidade de negociar em 2024, em meio às eleições presidenciais.

Além disso, os cortes que os republicanos queriam não estão no acordo, embora os gastos não relacionados à Defesa permaneçam os mesmos no próximo ano, segundo fontes. Também haverá novas regras para acessar certos programas de ajuda federal — acordo, no entanto, protege a Lei de Redução da Inflação e o plano de alívio de empréstimos estudantis.

Após o acordo, Biden disse, em comunicado, que o projeto de lei evitará um “calote catastrófico” da maior economia do mundo. O presidente indicou que o texto era um “compromisso, o que significa que nem todos conseguem o que querem”. “Evita o que poderia ter sido um calote catastrófico e poderia ter levado a uma crise econômica, contas de aposentadoria devastadas e milhões de empregos perdidos”, afirma o texto.

O teto, que foi acionado pela primeira vez em 1917, é um limite para a quantia total de dinheiro que os EUA estão autorizados a pegar emprestado para financiar o governo e cumprir suas obrigações financeiras.

Este ano, o limite de endividamento, de US$ 31 trilhões (R$ 153 trilhões), foi atingido em 19 de janeiro, e desde então o governo tem feito manobras extraordinárias para manter os pagamentos em dia, mas essa ferramenta também tem uma “validade”, que seria atingida no dia 5 de junho. Depois disso, despesas essenciais do Estado americano e até compromissos internacionais poderiam deixar de ser honrados, jogando a economia dos EUA (e do resto do mundo) em um cenário perigoso.

Mas para garantir o apoio republicano à elevação do teto, Biden, segundo o New York Times, precisou ceder, e concordou com o congelamento da expansão dos gastos do governo por dois anos, justamente quando a Casa Branca planejava expandir esses investimentos — a exigência de realizar cortes nos gastos era um dos pontos que vinha travando as conversas. Historicamente, o Partido Republicano se opõe à elevação de despesas públicas, e costuma fazer jogo duro com presidentes democratas sem maioria nas duas Casas do Congresso, como é o caso agora.

Biden, Trump, DeSantis, escritora, bilionário: Veja quem é quem na disputa pela Casa Branca em 2024
Mas vencida a primeira parte, a de chegar a um acordo, vem a segunda parte do plano, que também pode ser complicada para Joe Biden para os próprios republicanos. Apesar das concessões de ambos os lados, há vozes descontentes com o formato que deve ser o final do plano.

A começar pelos democratas. Vozes da ala progressista do partido devem se levantar contra a proposta para congelar os gastos do governo, questionando se isso vai afetar os planos de Biden para fortalecer a economia americana, avançar em questões como o clima e ações sociais, e até em ações no exterior, como o bilionário apoio à Ucrânia, que enfrenta a invasão das tropas russas desde o ano passado.

Pelo lado republicano, havia uma forte pressão sobre o presidente da Câmara, Kevin McCarthy, para que buscasse cortes mais ousados no orçamento federal. Segundo o New York Times, citando fontes na oposição, a versão atual do plano deve enfrentar oposição de parlamentares mais à direita e que têm na austeridade fiscal bandeiras importantes de seus mandatos. O senador Mike Lee, de Utah, disse ao New York Times que usaria todas as ferramentas para atrasar propostas que, em sua visão, não tragam mudanças fiscais palpáveis.

“Os republicanos precisam manter suas posições e ficar aentos a qualquer reforma do Ato para Limitar, Economizar e Crescer, sem permitir que essas reformas sejam abandonadas ou abrandadas por conta de um ‘acordo’ com Biden”, escreveu em um artigo o deputado Chip Roy, se referindo a uma medida aprovada pelos republicanos em abril que elevava o teto da dívida, mas impunha severos cortes ao orçamento do governo federal. Na época, Biden prometeu vetar a medida.

Pouco antes do acordo ser firmado, Biden e McCarthy conversaram por telefone para afinar os últimos detalhes — o presidente também manteve diálogo com lideranças democratas do Senado e da Câmara.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de em foco

Com vitória na Turquia, Erdogan entra no grupo dos líderes com mais de 20 anos de poder; veja lista
Na Turquia, Erdogan é reeleito para mais um mandato de cinco anos
Deixe seu comentário
Baixe o app da RÁDIO Pampa App Store Google Play

No Ar: Pampa Na Madrugada