Quinta-feira, 06 de Agosto de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 5 de agosto de 2026
A reunião da alta cúpula da Fifa resultou em um pedido de desculpas às associações e um comunicado público em que a entidade admite ter errado na condução do Fifa Forward Enterprise (FFE), o plano frustrado de Gianni Infantino para receber investimentos privados na entidade. O encontro ainda deliberou um comunicado em apoio ao presidente e uma resposta à Uefa e demais críticos.
A entidade entendeu como problema o fato de o Conselho e as associações “se sentirem excluídas do processo”. O mérito do plano não foi citado publicamente. O encontro ocorreu na tarde desta segunda-feira, em Rabat, capital do Marrocos.
Além de Infantino e do secretário-geral Mattias Grafstrom, estiveram presentes os chefes da Fifa de finanças (Thomas Peyer), do jurídico (Emilio Garcia Silvero), de pessoal (Daniel O’Toole), das associações (Elkhan Mammadov) e o diretor de relações públicas (Bryan Swanson).
Em paralelo à reunião, a Fifa enviou uma carta com pedido de desculpas ao Conselho da entidade e às associações pelos equívocos relacionados ao FFE e garantiu que essas falhas não serão repetidas.
A reunião veio depois de Grafstrom ter enviado um memorando a funcionários da Fifa dizendo que “indivíduos, momentos de instabilidade e episódios infelizes vêm e vão”, referindo-se à crise após a apresentação do FFE.
Apesar disso, os dois estiveram presentes nesta quarta no jogo entre Malawi e Zâmbia, pela Copa Africana de Nações Feminina, sediada em solo marroquino. “O secretário-geral da Fifa e os membros do Conselho de Administração da Fifa presentes reafirmaram seu total apoio ao presidente da Fifa, Gianni Infantino, como o único dirigente eleito pelas 211 Associações Membro”, reiterou o comunicado categoricamente.
Já em comunicado público, a entidade reforçou que a alta cúpula mantém o apoio a Infantino. O texto ainda rebateu críticas recebidas nos últimos dias, em especial vindas da Uefa.
“Com a retirada do projeto, ficou acertado que a Fifa não tolerará mais nenhum ataque à sua integridade, boa governança e devido processo legal e tomará todas as medidas necessárias para proteger e salvaguardar seu nome e reputação”, diz um trecho do texto que reitera não ter havido transgressões a regras da entidade.
Entenda o caso
A Fifa apresentou o plano da FFE, que buscaria investimentos privados para a entidade. A ideia foi rejeitada imediatamente pela Uefa, que ganhou apoio da Concacaf e da AFC. O entendimento foi de que a iniciativa se tratava de “vender a Copa do Mundo”, já que investidores teriam até 20% de participações na FFE. Conmebol, CAF e OFC adotaram postura neutra.
Outro ponto que causou desprezo à FFE é a possível influência dos Estados Unidos na proposta. Segundo o Financial Times, isso foi motivo de receio para investidores. O presidente americano negou ter conversado com Infantino sobre o tema.
A repercussão negativa levou à desistência do plano. Após o fracasso de sua controversa proposta, Infantino teve sua imagem desgastada e perdeu apoio para a eleição de 2027. A ideia de pautar a destituição do presidente chegou a ser ventilada.
A reunião desta segunda-feira foi uma tentativa de conter a crise. Segundo o jornal britânico The Times, Infantino teria oferecido a decisão da Copa do Mundo de 2030 ao Marrocos, uma das três sedes principais do próximo Mundial, para obter apoio em troca.
A entidade negou que tenha prometido a decisão da competição ao país africano. Em março de 2027, Marrocos será a sede do 77º Congresso da Fifa, evento que receberá a eleição presidencial.