Sexta-feira, 28 de Agosto de 2026

Home Economia Casas Bahia, Habib’s, Braskem: o que está por trás da onda de recuperações judiciais no Brasil

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Só nesta semana, duas grandes empresas recorreram à Justiça para reorganizar suas dívidas. O Grupo Gennius, dono das redes Habib’s, Ragazzo e Tendall, pediu recuperação judicial. Já a petroquímica Braskem protocolou pedido de recuperação extrajudicial.

Com os novos episódios, agosto já soma cinco casos emblemáticos: três de recuperação judicial e dois de recuperação extrajudicial. E há diversos fatores em comum entre eles.

A lista deste mês inclui a Alliança Saúde, a Marabraz e as Casas Bahia. Considerando todo o ano de 2026, são 12 pedidos de recuperação judicial ou extrajudicial.

A recuperação judicial permite que empresas renegociem suas dívidas sob supervisão da Justiça. Já na recuperação extrajudicial, a companhia negocia a reorganização das dívidas diretamente com os credores. Nos dois casos, o objetivo é evitar a falência e criar condições para que a empresa continue funcionando.

As dificuldades financeiras têm atingido empresas de diversos setores, como saúde, indústria e energia. A maior concentração de casos, no entanto, está no varejo e no consumo.

“É no varejo de bens duráveis que dói mais, e por um motivo simples: ele é atingido pelas duas pontas do negócio ao mesmo tempo”, afirma André Matos, CEO da MA7 Capital.

O especialista explica que, de um lado, os varejistas enfrentam dívidas mais caras e precisam manter estoques elevados. Do outro, os consumidores dependem de parcelamentos para comprar. A combinação desses dois fatores pressiona o setor.

Para Matos, porém, os pedidos de recuperação não representam um risco sistêmico. “Esses casos foram amplamente telegrafados, com ressalva de auditor, patrimônio negativo e reestruturação anterior. Ou seja, não foram surpresa.”

Consumidores

Especialistas avaliam que a onda de recuperações deve continuar, mas não representa, por ora, uma ameaça mais ampla a consumidores e à economia.

“Se as medidas econômicas não forem firmes, até pode haver retrocesso em pontos como qualidade de emprego e renda. Mas não vejo como um risco imediato”, aponta Júlio Moretti, CEO da NEOT, especializada em dados sobre recuperações na Justiça.

Ele estima que o cenário turbulento para as empresas deve se prolongar pelos próximos 2 ou 3 anos. “É consenso que não se trata de algo que vai durar pouco tempo”, acrescenta.

Causas

Os pedidos de recuperação judicial e extrajudicial têm algumas causas em comum. Entre as principais estão:

* juros elevados;
* endividamento acumulado desde a pandemia;
dificuldade de acesso ao crédito; e
* mudança no comportamento dos consumidores.

Para Cristina de Mello, professora da PUC-SP, os problemas financeiros das empresas podem ter origens diferentes, ainda que alguns fatores se repitam. “A gente não pode associar a todas o mesmo problema. Tem causas comuns, sim, mas há causas muito específicas e muito particulares”, afirma.

No caso da Marabraz, por exemplo, ela cita conflitos societários e familiares que comprometeram a renovação de linhas de financiamento e dificultaram o acesso a crédito.

O cenário também é especialmente difícil para companhias do varejo porque muitas trabalham com margens estreitas. “São empresas que precisam muito de capital de giro”, diz Mello.

Capital de giro é o dinheiro que uma companhia precisa para pagar suas contas e manter as operações.

Segundo Eduardo Terra, fundador da BTR Retail, o momento em que as dívidas foram contraídas ajuda a explicar parte dos problemas. Ele afirma que diversas empresas cresceram no período pós-pandemia recorrendo a empréstimos na expectativa de recuperar os lucros de antes da covid-19. Depois, porém, se depararam com um custo maior do que o previsto para pagar essas dívidas.

“(A taxa Selic) veio aumentando por uma série de motivos econômicos e chegou a 15%. Agora, está em um ciclo lento de baixa. O problema é que o endividamento dessas empresas, que cresceram durante a pandemia, ficou muito caro”, explica.

E não é só isso. O Grupo Gennius, do Habib’s, afirmou em seu pedido de recuperação que a mudança no comportamento dos consumidores depois da quarentena foi um dos fatores responsáveis pela crise financeira. Para os restaurantes, o aumento dos pedidos por delivery e a menor circulação de pessoas nas unidades contribuíram para o fechamento de diversas lojas.

Paula Sauer, professora da FIA Business School, afirma que a rede enfrenta custos elevados com matérias-primas, energia, salários e aluguel, enquanto atua em um segmento de preços baixos e com muitas opções para o consumidor. (Com informações do portal de notícias g1)

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