Sexta-feira, 28 de Agosto de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 28 de agosto de 2026
O presidente do Federal Reserve (Fed), Kevin Warsh, afirmou nesta sexta-feira (28) que a inflação nos Estados Unidos ainda não está desacelerando de forma significativa e que os formuladores de política monetária precisam ter confiança de que os preços estão caminhando de maneira consistente para a meta de 2%. Caso contrário, segundo ele, o banco central americano ainda terá trabalho a fazer.
Após o discurso, o dólar ampliou a alta e a Bolsa passou a operar em queda no Brasil. A moeda americana era negociada a R$ 5,21, com valorização de cerca de 1%.
Em um discurso abrangente, o primeiro desde que assumiu a presidência do banco central americano, em maio, Warsh reiterou o compromisso do Federal Reserve com o retorno da inflação à meta de 2%. Segundo ele, trata-se de uma “meta firme e fixa”.
“Este é o meu padrão: precisamos ter confiança de que a inflação subjacente está caminhando claramente e em velocidade suficiente para o nosso objetivo. Caso contrário, temos trabalho a fazer. Esse é o nosso trabalho”, afirmou Warsh durante a conferência anual do Fed, em Jackson Hole, no estado de Wyoming.
Warsh também afirmou que as condições financeiras atualmente não são restritivas e destacou que as taxas de juros são a principal ferramenta do Fed para cumprir seu mandato. Apesar disso, evitou indicar se apoiaria uma elevação dos juros na próxima reunião do banco central, marcada para setembro.
“Estou aqui hoje comprometido com uma disciplina, não com uma decisão”, disse.
Apesar da ressalva, os comentários foram interpretados pelo mercado como uma sinalização de que o Fed pode elevar os juros em setembro. As apostas dos operadores passaram a indicar maior probabilidade de um aperto monetário na próxima reunião.
Segundo o CME FedWatch Tool, que acompanha as expectativas do mercado com base nos contratos futuros dos Fed funds, os operadores precificavam nesta sexta-feira 55,5% de probabilidade de uma alta dos juros em setembro, contra 44,5% de chance de manutenção. Até quinta-feira (27), as probabilidades eram de 35,4% e 64,6%, respectivamente.
Atualmente, a taxa de juros dos Estados Unidos está na faixa entre 3,50% e 3,75% ao ano. O Federal Reserve utiliza um intervalo para definir sua taxa básica, em vez de estabelecer um único percentual.
No mercado de títulos públicos americanos, os rendimentos dos Treasuries de dois anos subiram até nove pontos-base, para 4,32%. Já os títulos com vencimento em 30 anos tiveram queda de dois pontos-base, para 5,17%. O movimento refletiu a mudança nas expectativas dos investidores sobre a trajetória dos juros de curto prazo.
“O presidente Warsh deu aos mercados o que eles queriam, que eram mais detalhes sobre sua visão a respeito dos dados atuais, especialmente da inflação”, afirmou Omair Sharif, presidente da Inflation Insights LLC. “É claro que ele não revelou suas cartas em relação a quaisquer futuras medidas de política monetária. Nesse sentido, isso parece ser uma situação vantajosa tanto para Warsh quanto para os mercados.”
Durante o discurso, Warsh afirmou que, com a inflação ainda acima da meta de 2%, a atenção do Fed permanece concentrada principalmente no comportamento dos preços. Segundo ele, os dados recentes não foram suficientes para demonstrar uma melhora significativa das tendências inflacionárias.
“Embora os índices de PCE, que mede o consumo das famílias, e CPI, que mede a inflação, deste verão tenham vindo melhores do que o esperado, eles não me dizem que as tendências subjacentes tenham melhorado de forma significativa. Os preços de mercado demonstram confiança de que vamos garantir a estabilidade de preços. E posso assegurar a vocês: eles estão certos”, afirmou.
O Fed deverá receber em 11 de setembro os dados de inflação ao consumidor referentes a agosto. O relatório poderá ser um dos principais indicadores considerados pelos dirigentes antes da próxima reunião de política monetária, marcada para os dias 15 e 16 de setembro.