Terça-feira, 24 de Maio de 2022

Home em foco Certificados falsos de vacinação são vendidos por 200 reais no Rio de Janeiro

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Cartões de vacinação falsificados, usados para acessar locais onde é necessário comprovar a vacinação, são vendidos por até R$ 200 em plena luz do dia no Rio de Janeiro. Os flagrantes do telejornal local da Rede Globo, RJ1, aconteceram em pelo menos dois lugares: na rua Uruguaiana (Centro) e na Quinta da Boa Vista.

A exigência do comprovante de vacinação foi ampliada em dezembro do ano passado.

Na sexta-feira (21), PMs do 5º Batalhão (Gamboa) prenderam quatro homens que vendiam ingressos e comprovantes falsos de vacinação próximo ao AquaRio.

No Centro, com uma câmera escondida, a equipe de reportagem filmou o vendedor negociando o comprovante de vacinação.

“Cartão de vacina, meu amigo, estou vendendo a R$ 200 aí. Vem em branco, assim.”

O vendedor mostra um cartão de vacinação no celular e afirma que o cartão é o mesmo dado nos postos de saúde. Segundo ele, o próprio comprador deve preencher.

RJ1: “Então preciso eu preencher”.

Vendedor: “Tu mesmo. Aí só tu copiar o que está aqui. Aqui CF Clínica da Família São José. Aqui tu só vai mudar o nome da pessoa. O nome vai botar o teu. Primeira dose tu bota uma data lá. Aí segunda dose tu bota outra data pra tu voltar, no caso. Entendeu?”

Após uma negociação, o vendedor entrega um comprovante de vacinação em branco da Prefeitura de Mesquita. Um outro homem se junta ao diálogo.

RJ1: “Isso aí é quente, bagulho é da Prefeitura de Mesquita mesmo”.

Vendedor: “Prefeitura de Mesquita”.

O vendedor anota o número de telefone dele e, no bilhete, se identifica como Guilherme. Por mensagem, horas depois, ele enviou duas fotos com o que seriam exemplos de um cartão em branco e outro preenchido. O cartão tem o nome da clínica do bairro Santa Terezinha, em Mesquita.

O comprovante é igual a outro, autêntico, de uma pessoa que se vacinou no mesmo posto, na mesma cidade.

Guilherme, o vendedor, garante que ninguém teve problemas com os comprovantes falsificados.

Vendedor:“Semana passada a menina pegou 10 comigo”.

RJ1: “Dez?”

Vendedor: “Ela não estava fazendo questão de os funcionários dela tomar a vacina então ela mesmo comprou dez para dar para os funcionários dela. Bagulho é quente, pode ficar tranquilo”.

Ele conta que também usa um cartão falsificado: “Para entrar no Fórum. Eu tive que ir lá no Fórum ver um negócio em um processo lá. Eu não tinha tomado a vacina. Eu peguei um, preenchi, fui lá e o cara só fez assim: ‘pode entrar’. Estou entrando em tudo quanto é lugar com ele. Eu mesmo tenho um”, afirmou o vendedor.

A venda de cartões de vacinação não acontece apenas no Centro do Rio. Ao lado do Bioparque, na Quinta da Boa Vista, na Zona Norte, tem cambista que vai além da venda de ingressos. Gente que percebeu a chance de ganhar dinheiro com a exigência do passaporte da vacina em pontos turísticos.

RJ1:“Vem cá, tu sabe se lá eles estão, estão pedindo aquele…”

Vendedor: “Cartão de vacina?”

RJ1: “É”.

Vendedor: “Estão, vocês têm?”

RJ1: “Não”.

Vendedor: “Eu faço on-line aqui para o senhor”.

De acordo com o esquema, os fraudadores fazem uma versão on-line de um comprovante de vacina para ser apresentado na entrada. Quem vende afirma que não há problema.

“A gente pede outras pessoas para fazer, para mandar para a gente, para gente não ter que fazer, entendeu? Porque já mexe com a área de saúde, esses bagulhos. Não é nem p**** nenhuma. Isso é só um bagulhinho feito. Um cartãozinho, no computador, que o cara bota o nome para tu poder entrar. Eu geralmente não gosto de fazer. O cara cobra R$ 20 para fazer isso.”

O homem passa dados de pagamento a uma cliente que comprou dois ingressos com ele.

Tudo acontece a poucos metros de uma viatura da Polícia Militar, ao lado de um agente da Guarda Municipal e de um ônibus da corporação com a inscrição “Prefeitura do Rio no combate à Covid-19”.

Contraditório

Apesar de oferecer cartões de vacinação forjados, o vendedor parece ter alguma consciência sobre a pandemia.

“Agora, se o senhor quiser mesmo, o certo é o senhor tomar a vacina, entendeu? Tem que tomar a vacina. Não tomou a vacina por quê?”, questiona.

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