Terça-feira, 24 de Maio de 2022

Home Mundo Chefes da diplomacia de Rússia e Ucrânia se reúnem para negociações na Turquia

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O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Dmitri Kuleba, e o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, já se reúnem nesta quinta (10) em Antália, no sul da Turquia. São as negociações de mais alto nível entre as duas nações desde que a guerra entre os dois países começou há duas semanas.

A Casa Branca também informou nesta quarta (9) que o presidente Joe Biden deve fazer uma ligação telefônica com o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, nesta quinta (10) para discutir os últimos desdobramentos do conflito na região.

Autoridades dos EUA e da Ucrânia mantiveram contato em diferentes níveis sobre a guerra nesta quarta. O secretário de Estado americano, Antony Blinken, e o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Dmitro Kuleba, conversaram por telefone para discutir segurança adicional e apoio humanitário.

Segundo o Departamento de Estado, Blinken e Kuleba também abordaram “ataques da Rússia que prejudicam centros populacionais” ucranianos.

Embora faça parte da Otan e seja aliada da Ucrânia, a Turquia também mantém uma relação próxima com a Rússia e, desde o início do conflito, tem se esforçado para preservar contato com os dois países.

Mesmo classificando a invasão russa como “inaceitável”, o governo turco se opõe a sanções contra Moscou e condenou a “caça às bruxas” contra a cultura russa.

Antes do encontro, o chanceler ucraniano confessou que tem expectativas limitadas em relação às negociações com o governo da Rússia. “Mas direi francamente que minhas expectativas das conversações são baixas”, disse Kuleba em uma declaração em vídeo.

“Estamos interessados em um cessar-fogo, na libertação de nossos territórios e o terceiro ponto é a resolução de todas as questões humanitárias”, completou o ministro.

Obstáculos para a pacificação

Kuleba, chega para o encontro carregando as diversas acusações do governo do país de que as tropas russas estão atacando sistematicamente cidades ucranianas e, inclusive, causando a morte de civis.

Autoridades ucranianas acusaram as tropas russas de realizarem um bombardeio a prédios públicos que teria atingido também uma maternidade e um hospital infantil em Mariupol, no sul da Ucrânia.

O suposto ataque militar ainda teria atingido prédios apontados como da Universidade Técnica Estadual de Pryazov e da Administração do Conselho Municipal de Mariupol.

De acordo com o Escritório do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos, pelo menos 516 civis foram mortos na Ucrânia desde que o exército da Rússia invadiu o país. Além disso, cerca de 908 civis também ficaram feridos.

Ainda de acordo com as Nações Unidas, a guerra em território ucraniano já fez com que mais de 2 milhões de pessoas deixassem o país, segundo a Agência de Refugiados da ONU (Acnur). A maior parte deles é composta por mulheres, crianças e idosos.

No entanto, o governo da Rússia classifica as acusações ucranianas como falsas e diz que o Ocidente promove uma campanha de “russofobia”. A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, acusou países europeus e os Estados Unidos, bem como a mídia, de darem apoio a ideias “extremistas”.

Histórico de negociações conturbadas

Em duas semanas de guerra, representações da Ucrânia e da Rússia já se sentaram à mesa em três oportunidades para negociarem.

Na última ocasião, os representantes dos dois países tiveram “pequenos desenvolvimentos positivos” quanto à questão dos corredores humanitários para saída de refugiados e chegada de suprimentos a algumas cidades, segundo os negociadores ucranianos.

Mesmo assim, ainda de acordo com os ucranianos, as conversas não levaram a um resultado que “melhore significativamente a situação”.

O negociador russo Vladimir Medinsky afirmou que as negociações “não são fáceis” e “é muito cedo para falar sobre algo positivo”.

Embora o governo da Rússia diga que abriu os corredores humanitários em cinco cidades ucranianas, entre elas a capital Kiev, autoridades do governo ucraniano acusam o exército russo de continuar os bombardeios nas regiões do cessar-fogo.

Pelo Twitter, o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da Ucrânia, Oleg Nikolenko, afirmou nesta terça que forças russas bombardearam uma rota de evacuação para civis presos em Mariupol. A Rússia não se manifestou sobre a acusação.

Enquanto isso, o lado russo alega que neonazistas e radicais ucranianos estejam atirando nos civis que tentam deixar o país. Em discurso no Conselho de Segurança da ONU, o embaixador da Rússia, Vasily Nebenzya, disse que há “evidências em vídeo” de que quando os refugiados chegavam aos postos de controle, “eram executados pelos nazistas ucranianos”.

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