Quinta-feira, 27 de Agosto de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 27 de agosto de 2026
O Grupo Gennius, controlador das redes Habib’s, Ragazzo e Tendall, teve o pedido de recuperação judicial aceito nesta semana pela Justiça de São Paulo. O grupo declarou dívida de R$ 265,2 milhões.
Segundo o pedido apresentado à Justiça, a crise financeira foi provocada pela combinação de três fatores principais: os efeitos da pandemia de Covid-19, as mudanças no comportamento dos consumidores e a alta dos juros.
Fundado em 1988 em São Paulo, o Habib’s se tornou uma das principais redes de alimentação do Brasil e ficou conhecido principalmente pelas esfihas e outros produtos de inspiração árabe. Atualmente, há quase 120 lojas no País.
O grupo também controla quase 30 lojas do Ragazzo, voltado principalmente a massas, salgados e lanches, seis churrascarias da rede Tendall, além de empresas que atuam na estrutura de franquias e em outras etapas da operação.
Motivos que levaram o grupo à crise
A pandemia de Covid-19 afetou especialmente as lojas localizadas em grandes centros urbanos. Segundo o grupo, as restrições de circulação reduziram o movimento nesses locais. Mesmo depois da reabertura da economia, o avanço do trabalho remoto e híbrido mudou a rotina de consumidores que antes frequentavam regiões comerciais e shoppings.
Ao mesmo tempo, o crescimento dos serviços de entrega mudou a forma de consumir refeições. Mais clientes passaram a fazer pedidos por aplicativos e outras plataformas digitais, em vez de frequentar os restaurantes. O delivery ajudou a manter as vendas, mas, segundo o grupo, também pressionou os resultados das lojas físicas.
O terceiro fator foi a alta dos juros. Segundo o grupo, dívidas contraídas para sustentar as operações ficaram mais caras com o aumento da taxa básica de juros, a Selic. Com isso, uma parcela maior do dinheiro gerado pelos restaurantes passou a ser usada para pagar juros e dívidas, reduzindo os recursos disponíveis para manter o negócio.
Os restaurantes vão fechar?
Não há determinação de fechamento das lojas. A recuperação judicial existe justamente para tentar manter a empresa funcionando enquanto reorganiza suas dívidas. O grupo informou que o atendimento e as operações seguem normalmente e reiterou que empresas franqueadas não integram o processo.
A recuperação judicial não significa demissão automática nem encerramento dos contratos de trabalho.