Quinta-feira, 02 de Dezembro de 2021

Home Saúde Com efeito analgésico e anti-inflamatório, eletroacupuntura ganha espaço no combate a dores intensas no Brasil

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Uma das técnicas mais antigas e tradicionais da medicina, com milhares de anos, ganhou uma versão que tem conquistado espaço nas clínicas do país: a prática da acupuntura feita com eletrodos. Com o nome de eletroacupuntura, o método lança pequenos estímulos elétricos às agulhas inseridas no corpo.

O procedimento tradicional surgiu na China e parte da ideia de que as doenças são decorrentes de um desequilíbrio da força vital. Os canais que transportam essa energia pelo corpo, chamados de meridianos, são então estimulados em pontos específicos pela inserção de agulhas para restaurar o equilíbrio energético do paciente.

O ocidente abarcou a técnica, reconhecendo como uma terapia médica legítima. Há relatos do uso da eletricidade na acupuntura que remetem ao início do século passado, mas prática se aprimorou e se popularizou recentemente.

“Se nós formos pensar que o corpo funciona através de estímulos elétricos o tempo inteiro, como para falar, pensar, então quando utilizamos a eletricidade como mais uma ferramenta, damos qualidades a essa técnica terapêutica”, explica Janete Bandeira, médica especialista em acupuntura e uma das diretoras do Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura (CMBA).

Janete conta que cerca de 95% dos atendimentos feitos por ela são com a eletroacupuntura. Ela explica que o procedimento é feito com a introdução das agulhas nos pontos escolhidos e, depois, com a conexão dos fios, que se prendem às agulhas por meio dos clipes conhecidos como garras de jacaré.

Os fios são ligados a um aparelho de baixa potência, normalmente de 9 volts, que produz uma corrente elétrica média de 10 miliamperes, que também é considerada baixa. A frequência com que os impulsos são emitidos geralmente é por volta de 1 a 2 hertz. Os estímulos são indolores, podendo no máximo causar um leve desconforto para o paciente.

Efeito analgésico e anti-inflamatório

A eletroacupuntura é utilizada principalmente para casos em que o paciente busca aliviar dores intensas. Um dos primeiros benefícios da técnica comprovados pela ciência foi a liberação de opioides endógenos, uma substância analgésica produzida pelo próprio corpo.

Além disso, o CMBA indica que outros principais mecanismos de ação da eletroacupuntura são o efeito anti-inflamatório e a modulação de sistemas que controlam os impulsos do corpo.

“É uma técnica bastante reparadora dos tecidos. Quando o tendão fica inflamado, por exemplo, a gente sabe que não é só o tendão que está alterado, mas todo o circuito que envolve o músculo, o nervo e até o cérebro. E nós já sabemos que esse estímulo elétrico consegue mandar mensagens reguladoras para o sistema nervoso cerebral”, destaca Janete Bandeira.

Os efeitos da eletroacupuntura para dores crônicas são cada vez mais comprovados. Um estudo da Faculdade de Medicina da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos, analisou 11 ensaios clínicos sobre o uso da técnica para tratamento de osteoartrite de joelho.

Os resultados apontam que ela ajudou a reduzir a dor e melhorar os movimentos, e sugerem que, quando combinada com baixas dosagens de analgésicos convencionais, a eletroacupuntura fornece um controle eficaz da dor que pode prevenir os efeitos colaterais de medicamentos frequentemente debilitantes.

Há ainda mais um trabalho recente revelando os benefícios no uso de agulhas com eletrodos. Um estudo da Universidade de Harvard, publicado na revista científica Nature, descobriu como o uso da terapia com a eletricidade estimula a neuroanatomia (ramo da anatomia que estuda a organização anatômica do sistema nervoso do corpo humano). Os resultados são parte de uma investigação que começou em 2014, quando os cientistas relataram que a eletroacupuntura conseguiu reduzir a tempestade de citocinas, processo inflamatório que acontece quando o organismo produz uma resposta imunológica excessiva dessas proteínas.

Essa redução aconteceu por meio da ativação de uma via do nervo vago, a estrutura que passa pelo corpo conectando o sistema nervoso central a praticamente todos os órgãos. Em 2020, a equipe continuou o estudo e descobriu que esse efeito era específico da aplicação das agulhas em determinadas regiões, como nos membros posteriores, e formulou uma hipótese de que poderia haver neurônios sensoriais exclusivos responsáveis por essa resposta. Os cientistas confirmaram, portanto, a hipótese e identificaram o conjunto de neurônios necessários para que a acupuntura desencadeie uma resposta anti-inflamatória.

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