Quinta-feira, 25 de Junho de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 25 de junho de 2026

O Brasil ocupa, há alguns anos, um lugar incômodo no mapa global do crime digital. O país está consistentemente entre os mais atacados do mundo – e os números confirmam isso. Em 2023, o Brasil registrou mais de 60 bilhões de tentativas de ataques cibernéticos, segundo o relatório da Fortinet. Não é pouco. Para efeito de comparação, esse volume representa cerca de um terço de todos os ataques registrados na América Latina inteira. Algo está errado, e ao mesmo tempo algo está mudando – para melhor.
O Cenário Atual: Por Que o Brasil É Um Alvo Tão Frequente
Existem razões estruturais para isso. O país possui uma das maiores populações conectadas da América Latina, com mais de 150 milhões de usuários de internet. Uma parcela significativa desses usuários acessa redes públicas sem qualquer proteção adicional, realiza transações bancárias pelo celular todos os dias e desconhece práticas básicas de higiene digital. Esse perfil é exatamente o que agentes maliciosos procuram.
Os setores mais afetados são setor financeiro, governo, saúde e varejo. Phishing, ransomware e fraudes de engenharia social dominam o cenário. Em 2022, o ataque ao Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul paralisou sistemas por semanas. Em 2021, dados de mais de 220 milhões de brasileiros vazaram de fontes desconhecidas — um dos maiores vazamentos da história do país. Esses episódios não foram acidentes. Foram consequências de infraestruturas mal protegidas.
VPNs, Servidores Seguros e a Proteção da Navegação Diária
Uma das ferramentas que tem ganhado espaço tanto no ambiente corporativo quanto entre usuários comuns é a VPN – rede privada virtual. Num país onde tantas pessoas trabalham de cafeterias, coworkings ou simplesmente de casa usando o Wi-Fi do vizinho, criptografar a conexão deixou de ser um luxo técnico. É uma necessidade básica.
As pessoas são obrigadas a usar servidores VPN devido a restrições geográficas e vigilância. Provedores como a VeePN oferecem acesso a uma extensa lista de servidores disponíveis, distribuídos em dezenas de países. Isso permite que o usuário escolha o ponto de saída da sua conexão, reduzindo exposição a interceptações e melhorando a privacidade de forma prática. Para empresas com equipes distribuídas, esse tipo de solução já faz parte da política de segurança – não é mais opcional.
“A proteção de dados deixou de ser responsabilidade exclusiva do departamento de TI. Hoje, ela começa no dispositivo de cada colaborador.” — Perspectiva recorrente entre profissionais de segurança da informação no Brasil
A Lei Geral de Proteção de Dados: Avanço Real ou Letra Morta?
A LGPD entrou em vigor em 2020 e trouxe um novo vocabulário para o mercado: consentimento, finalidade, necessidade, transparência. Empresas passaram a ter obrigações legais sobre como coletam, armazenam e compartilham dados de usuários brasileiros. Multas podem chegar a 2% do faturamento anual, limitadas a R$ 50 milhões por infração.
Na prática, a implementação ainda é desigual. Grandes empresas investiram em adequação – DPOs foram contratados, políticas de privacidade foram reescritas, sistemas de gestão de consentimento foram implementados. Mas pequenas e médias empresas, que representam a maioria do tecido empresarial brasileiro, ainda engatinham. Falta conhecimento, falta orçamento, falta pressão regulatória consistente.
Ataques de Ransomware: O Pesadelo que Não Vai Embora
O ransomware virou uma indústria. Grupos organizados, com estruturas quase corporativas, atacam hospitais, prefeituras, universidades e empresas privadas. O modelo funciona assim: o atacante invade a rede, criptografa os arquivos e exige pagamento – geralmente em criptomoedas – para devolver o acesso.
Em 2023, o Brasil foi o quinto país mais afetado por ransomware no mundo, segundo dados da Trend Micro. Os prejuízos vão além do resgate: incluem paralisação operacional, custo de recuperação, danos à reputação e possíveis sanções regulatórias. Um hospital que perde acesso aos prontuários de pacientes não está apenas com um problema de TI — está com uma crise de saúde pública nas mãos.
O que mudou nos últimos anos é a resposta. Mais organizações brasileiras estão adotando estratégias de backup em múltiplas camadas, segmentação de redes e planos de resposta a incidentes. Ainda é insuficiente, mas é diferente do que era há cinco anos atrás.
Proteção No Dia a Dia: Do Corporativo ao Usuário Comum
Nem toda proteção exige orçamento de grande empresa. Para o usuário final, o básico ainda faz muita diferença: senhas únicas por serviço, autenticação de dois fatores ativada, atenção a e-mails suspeitos.
E, cada vez mais, o uso de ferramentas de privacidade no navegador. Nesse sentido, extensões gratuitas para o Chrome que oferecem proteção de VPN têm ganho popularidade entre quem quer uma camada extra de segurança sem precisar configurar nada complexo – especialmente ao acessar redes abertas em shoppings, aeroportos ou hotéis. É uma solução simples, mas que protege contra interceptações em redes não confiáveis.
O Que as Empresas Estão Fazendo Diferente Agora
A mentalidade mudou – pelo menos nas organizações que já sofreram ataques ou que têm consciência clara do risco. Algumas práticas que se tornaram mais comuns:
A adoção de ferramentas de endpoint também cresceu. Mas hardware e software não resolvem sozinhos – a cultura de segurança dentro das organizações é o fator diferenciador.
Talentos, Formação e a Lacuna que Precisa Ser Fechada
O Brasil forma poucos profissionais de cibersegurança para a demanda que existe. Estima-se que há uma escassez de mais de 750 mil profissionais qualificados na área de segurança digital na América Latina. O mercado aquece, os salários sobem, mas a formação não acompanha no mesmo ritmo.
Universidades estão criando cursos específicos, e plataformas de educação online têm preenchido parte dessa lacuna – com trilhas de certificação como CompTIA Security+, CISSP e CEH sendo cada vez mais procuradas por profissionais em transição de carreira. O governo também começa a se mover: o Centro de Defesa Cibernética do Exército Brasileiro (CDCiber) existe desde 2010, e iniciativas de conscientização têm chegado ao setor público estadual e municipal.
O Futuro da Cibersegurança no Brasil: Para Onde Isso Vai
Inteligência artificial entra em cena dos dois lados. Atacantes usam IA para automatizar phishing em escala, identificar vulnerabilidades mais rápido e personalizar golpes. Defensores usam IA para detectar anomalias em tempo real, correlacionar eventos em redes complexas e responder a incidentes com mais agilidade.
O Brasil tem infraestrutura, tem talento e tem escala para se tornar referência regional em cibersegurança – mas precisa de consistência regulatória, investimento público sustentado e uma cultura digital mais madura. O cenário evoluindo no Brasil é real, mas a evolução ainda não chegou onde precisava. O gap entre ameaça e resposta continua grande. Fechá-lo é urgente.