Terça-feira, 18 de Agosto de 2026

Home Economia Como as ações da Casas Bahia passaram de mais de R$ 500 para centavos em seis anos

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As ações da Casas Bahia passaram por uma das maiores desvalorizações entre as empresas do varejo brasileiro nos últimos anos. Os papéis da companhia, negociados na B3 pelo código BHIA3, chegaram a valer R$ 559 em julho de 2020. Seis anos depois, o valor caiu para a casa dos centavos, em meio ao agravamento da situação financeira da empresa.

A trajetória de queda ganhou novo impulso nesta semana após a Casas Bahia entrar com pedido de recuperação judicial. Na segunda-feira (17), as ações chegaram a despencar 33,3%, em reação à notícia. O movimento ocorreu depois de a companhia registrar prejuízo de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026.

O pedido de recuperação judicial foi apresentado no domingo (16) à Justiça de São Paulo e envolve dez empresas do grupo, entre elas Casas Bahia, Ponto Frio, Extra.com e a fabricante de móveis Bartira. A dívida reconhecida no processo chega a R$ 17,3 bilhões. A companhia também informou que busca um financiamento de aproximadamente R$ 1 bilhão para recompor estoques e manter as operações durante o processo de reestruturação.

A deterioração do valor das ações foi gradual. Depois da máxima histórica de R$ 559 em 2020, os papéis passaram por sucessivas quedas. Dados de mercado mostram que a ação chegou a R$ 403,99 no fim de 2020, caiu para R$ 131,26 em 2021 e encerrou 2022 em R$ 60. Em 2023, estava na faixa de R$ 11,38.

A desvalorização se aprofundou nos anos seguintes, acompanhando os problemas financeiros da companhia. O cenário inclui juros elevados, crédito mais caro, redução do poder de compra das famílias e maior concorrência no comércio eletrônico. Especialistas também apontam o alto endividamento das empresas e a dificuldade de acesso a financiamento como fatores que vêm pressionando o varejo brasileiro.

A situação financeira da Casas Bahia se agravou mesmo após uma tentativa de reestruturação extrajudicial realizada em 2024. Segundo informações divulgadas no pedido apresentado à Justiça, a empresa chegou ao novo processo diante da dificuldade de renegociar seus compromissos e obter novos recursos para manter o funcionamento da operação.

Além das dívidas, a companhia anunciou o fechamento de 298 lojas e a demissão de cerca de 3 mil funcionários. O grupo afirma que as medidas fazem parte do esforço para reduzir custos e reorganizar suas atividades.

O prejuízo registrado no segundo trimestre também contribuiu para aumentar a pressão sobre os papéis. Dos R$ 10,1 bilhões negativos, aproximadamente R$ 9,1 bilhões decorreram de efeitos contábeis, sem impacto direto no caixa, relacionados principalmente à baixa de imposto diferido e à reorganização estrutural da companhia.

A crise da Casas Bahia ocorre em um momento de dificuldades para o varejo brasileiro. Entre junho de 2025 e junho de 2026, o número de empresas do setor em recuperação judicial aumentou 20,4%. A combinação de juros elevados, crédito restrito, consumo mais fraco e concorrência de plataformas digitais tem pressionado empresas de diferentes segmentos.

O grupo agora terá de apresentar um plano de recuperação aos credores e buscar condições para reorganizar suas dívidas e manter as atividades. A recuperação judicial permite a suspensão de determinadas cobranças e cria um processo para negociação dos débitos, sob acompanhamento da Justiça.

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