Sábado, 20 de Junho de 2026

Home Economia Competitividade: Brasil perde posições e fica entre os últimos em ranking global

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O Brasil caiu sete posições no Ranking de Competitividade 2026 do IMD World Competitiveness Center e passou a ocupar o 65º lugar entre 70 países avaliados, retornando ao pior patamar dos últimos anos.

O recuo foi puxado pela piora em todos os quatro indicadores analisados pelo levantamento, com destaque para a eficiência dos negócios e a performance econômica, reforçando os desafios do País em áreas ligadas ao ambiente de negócios, à gestão pública e ao crescimento sustentável.

Até então, a pior colocação do Brasil havia sido o 62º lugar de 2024.

Além da performance econômica, o ranking, elaborado em parceria com a Fundação Dom Cabral (FDC), também avalia eficiência governamental, eficiência empresarial e infraestrutura.

Segundo Hugo Tadeu, diretor do Núcleo de Inovação, IA e Tecnologias Digitais da Fundação Dom Cabral, uma combinação de tensões no atual cenário macroeconômico do País – incluindo política monetária e fiscal, endividamento público, inflação e volatilidade cambial – ajudam a explicar a queda de posição.

“No caso específico dos juros elevados, esse indicador tem influência relevante sobre o aumento do custo de capital”, apontou Tadeu. “Também merecem destaque aspectos como mudanças frequentes nas regras para se fazer negócios, a liquidez do mercado e o cenário internacional, que igualmente contribuem para a elevação do custo de capital.”

O pesquisador afirma que os juros elevados tornam o crédito e os investimentos mais caros para as empresas, o que aumenta os custos para financiar operações e projetos. Esse cenário pode dificultar o planejamento e a gestão dos negócios, reduzindo a eficiência da iniciativa privada, o que explica porque, no relatório, o Brasil aparece na última posição do indicador de custo de capital.

Outros pontos de atenção para o Brasil são o débito corporativo, a educação primária e secundária, a produtividade de força de trabalho, habilidades linguísticas, habilidades financeiras e sistemas de valor. Em todos esses fatores o país fica em último lugar.

Tadeu também destaca os desafios do Brasil na formação de capital humano. O país ocupa a última posição do ranking em indicadores associados à qualificação da força de trabalho, educação e competências financeiras, evidenciando entraves estruturais que ainda limitam o fortalecimento de sua competitividade.

“O principal alerta do estudo está relacionado ao capital humano. O Brasil apresenta avanços importantes em diversas dimensões da competitividade, mas terá dificuldades para sustentar esses ganhos se não acelerar investimentos em educação, qualificação profissional e desenvolvimento de competências para a economia do futuro”, pontuou o diretor.

Destaques positivos

Apesar da queda no ranking geral, o Brasil apresentou resultados positivos em alguns indicadores. O País ficou entre os dez primeiros colocados nos seguintes fatores: crescimento de longo prazo do emprego (5º lugar), subsídios governamentais (5º), participação de energias renováveis na matriz energética (5º), fluxo de investimento direto estrangeiro (7º) e atividade empreendedora em estágio inicial (8º).

O melhor desempenho foi registrado no mercado de trabalho, refletindo o atual cenário de baixas históricas na desocupação. A quinta posição no indicador de crescimento de longo prazo do emprego indica a capacidade de criar vagas de forma contínua e de absorver trabalhadores em diferentes segmentos da economia. Para os autores do estudo, o resultado aponta para a resiliência da atividade econômica e para a manutenção de oportunidades mesmo em um cenário global mais desafiador.

O levantamento também destaca a capacidade do País de atrair investimentos e estimular a criação de novos negócios. O bom posicionamento em investimento estrangeiro direto e empreendedorismo sugere que o Brasil continua sendo um mercado relevante para empresas e investidores.

Além disso, a elevada participação de fontes renováveis de energia e a presença entre os líderes em subsídios governamentais aparecem como fatores que podem contribuir para a competitividade de setores estratégicos da economia. (Com informações do jornal O Globo)

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