Segunda-feira, 15 de Abril de 2024

Home Comportamento Consumo de pornografia por mulheres cresce e abre caminho para dependência

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Um levantamento feito pelo maior site de conteúdo pornográfico da internet do planeta, o PornHub, que conta com mais de 15 milhões de visitantes mensais, mostra o crescimento no número de mulheres que assiste a vídeos de sexo. Elas já representam um terço dos usuários regulares da plataforma, incluindo as brasileiras. Grande parte desse número são de jovens entre 18 e 24 anos.

É fato que a pornografia pode colaborar para ter uma vida sexual mais saudável, além de contribuir para um melhor conhecimento do corpo e o que dá mais prazer. Entretanto, o excesso causa vício e, consequentemente, pode levar a danos agressivos para a saúde.

“No Brasil, a média de mulheres que acessam a esses canais de pornografia gira em torno de 33%, é um pouco maior do que a média mundial (25%), mas não são todas que tem a predisposição para o vício. Desse número, cerca de 10% tem potencialmente a capacidade de se tornar dependentes”, explica a psiquiatra Carmita Abdo, coordenadora do programa de estudos em sexualidade da USP.

No Reino Unido, berço do PornHub, as mulheres se tornaram maioria na procura de serviços de saúde sexual em decorrência de não conseguirem se livrar do vício de vídeos eróticos. A maioria reclama de problemas na intimidade do sexo na vida real, como diminuição na libido e dor durante a relação.

A holandesa Kristel Koppers, de 29 anos, se transformou em uma das principais vozes dessas mulheres. Koppers criou recentemente um canal no Youtube, onde fala abertamente sobre o assunto – o endereço já conta com mais de dois milhões de visualizações. Ela se autodenomina uma “ex-dependente de pornografia” espera ajudar outras mulheres a sair desse ambiente virtual prejudicial.

“Sou uma ex-dependente de pornografia. Usava a pornografia como válvula de escape e me sentir melhor momentaneamente, porque na maior parte do tempo eu tinha problemas com meu corpo e com a autoaceitação, mas chegou em um ponto que isso começou a atrapalhar a minha vida pessoal e amorosa. Não tinha mais vontade de sair de casa, zero animação para fazer coisas corriqueiras. Ficava constantemente comparando cada detalhe do momento real com o que eu tinha visto online e nunca correspondia as minhas expectativas. Fui criando camadas de ansiedade que foram sabotando o meu prazer sexual. Se tornava tenso, desconfortável e até doloroso às vezes”, explica Koppers.

Calcula-se que um em cada dez consumidoras de material pornográfico não consegue interromper o hábito de forma alguma. Além desses sintomas, outros sinais que mostram que o ato se tornou compulsivo é a dificuldade de se excitar com parcerias reais, ereções instáveis, crises de ansiedade, o que faz o praticante acessar pornografia de lugares impróprios, a falta de energia para fazer atividades cotidianas, fobias sociais e baixa autoestima.

“As pessoas que abusam do uso de pornografia, geralmente fazem parte de grupos que já tem a predisposição de excesso por outras coisas, seja no alcoolismo, no consumismo, em jogos. Tem uma base genética para isso. Podemos desconfiar que a pornografia está causando mais malefícios do que benefícios para a nossa saúde quando o usuário começa a abrir mão de outras atividades do cotidiano, não dorme direito, interrompe a hora do trabalho para acessar conteúdos pornográficos, não há mais convívio social, tudo isso mostra que o acesso deixou de ser natural”, definiu Abdo.

Uma manifestação que já é conhecida, mas que está cada vez mais relacionada com esse aumento em excesso no uso da pornografia em mulheres, é o crescimento em materiais fetichistas chamados de “perturbadores”. Estudo publicado no final de agosto no British Medical Journal, mostra que houve uma expansão no número de lesões íntimas e infecções relacionadas a um aumento na popularidade de atos sexuais arriscados e agressivos entre mulheres jovens. Os autores do artigo são decisivos ao destacar o conteúdo adulto como motivo principal para isso.

Na internet, protegidas pelo anonimato, dezenas de mulheres relatam em fóruns da internet e redes sociais como o uso abusivo da pornografia, aliado a atos agressivos prejudicaram a saúde física e mental de cada uma. “Comecei a assistir pornografia com o meu marido e passei a concordar com alguns atos sexuais agressivos, pois acreditava que somente assim ele continuaria interessado por mim”, escreveu uma usuária. Outra disse: “depois de consumir pornografia, me sinto deprimida, inútil, triste e sem energia”.

Conteúdos violentos

A garota afirma que, em uma tentativa de encontrar a excitação perdida, passou a assistir conteúdos violentos e extremos. “Quanto mais eu assistia, mais extremo o conteúdo tinha que ser para eu achar empolgante. No final, eu estava assistindo coisas que nunca escolheria na vida real, como homens sendo agressivos com mulheres”, diz.

Pesquisadores da Universidade de Durham analisaram centenas de milhares de vídeos nos sites adultos mais populares do Reino Unido, que são gratuitos e facilmente acessíveis por meio de uma pesquisa rápida na internet, e encontraram 10 mil conteúdos em destaque tão extremos que são ilegais no país.

O grupo descobriu ainda que um em cada oito títulos anunciados para usuários iniciantes no Reino Unido descreve conteúdo sexualmente violento, coercitivo ou não consensual. Pelo menos 40% do conteúdo adulto gratuito online apresenta algum tipo de agressão verbal ou física direcionada a uma mulher. Os autores ainda associaram a crescente popularidade desses vídeos a um aumento nos casos de agressão sexual.

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