Domingo, 16 de Junho de 2024

Home Saúde Covid e asma: infecção pode piorar sintomas do mal crônico

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Dificuldades para respirar, tosse, sensação de aperto no peito, falta de ar: esses são sintomas comuns para mais de 22 milhões de brasileiros que possuem asma. Segundo o DATASUS, banco de dados do Ministério da Saúde, anualmente, o mal crônico causa cerca de 350 mil internações no Sistema Único de Saúde (SUS), sendo a terceira ou a quarta maior causa de hospitalizações.

“As manifestações incluem desde doença leve como, por exemplo, chiado no peito ocasional, tosse seca quando tem algum resfriado e alguma infecção até as pessoas com sintomas graves, onde a falta de ar é diária, acorda a noite com falta de ar, precisa usar diversas medicações por controle, tosse seca e dor torácica”, explica o pneumologista Diego Henrique Ramos.

Com a pandemia de covid, esse quadro se agravou. Segundo um estudo publicado na revista especializada Journal of Allergy and Clinical Immunology: In Practice, o coronavírus pode piorar o controle da doença em crianças.

O Sars-Cov-2 também é apontado como um fator que pode desencadear a asma em quem ainda não tem, em casos de covid longa – como são chamadas as manifestações clínicas “novas, recorrentes ou persistentes” após a infecção pelo vírus.

Larissa Alves, de 21 anos, desenvolveu asma após uma sucessão de bronquites mal curadas na infância. No ano passado, ela foi diagnosticada com covid. Durante o período de isolamento, a assistente de marketing não apresentou nenhuma complicação – os reflexos, no entanto, apareceram dias depois.

“Depois que tive covid passei a sentir mais dificuldades que o normal. Sentia muito mais falta de ar. Trabalho com a voz, e no dia a dia, essa falta de ar me incomodava, parecia estar pior que antes. Foi quanto comecei a ter ataques de asma pós-covid”, relata.

“Procurei um pneumologista e fiz uma prova de função pulmonar. Expliquei que tive covid, que sentia a asma mais forte. E ele identificou que a asma tinha se agravado, e trocou meu medicamento”, lembra. A opção do especialista foi receitar um medicamento mais potente para Larissa.

“Hoje eu uso uma bombinha mais forte que a anterior. A minha asma é controlada, aparece quando faço muito esforço físico, fico exposta a fumaça, quando corro, ou fico muito ansiosa e nervosa. Às vezes aparece do nada, como em dias de tempo seco. A bombinha fica comigo o tempo todo, no trabalho, na casa dos meus amigos, quando faço passeios, ela está sempre no meu bolso, porque a qualquer momento posso ter uma crise.”

Júlia Santana Toledo, de 18 anos, trata a asma desde criança, fazendo o uso da bombinha e de outros medicamentos. Foi também depois da infecção que ela sentiu um agravamento nos sintomas da doença.

“Fui melhorando da covid, mas comecei a sentir mais falta de ar. Usava a bombinha toda hora, mesmo em casa, sem fazer nada. Fui no médico fazer exames de rotina, no final de 2020, meses após ter covid, e durante a consulta comecei a sentir muita falta de ar – e eu estava sem a bombinha naquele momento. Saí do consultório, tentei respirar com calma, mas tive que ir na farmácia procurar outra bombinha”, lembra.

“Foi o momento que eu mais usei a bombinha. Depois de um ano, isso passou, e comecei a voltar ao normal. Minha asma agora é controlada, e utilizo um medicamento sublingual além da bombinha”, conta ela. O foco agora é nas próximas doses da vacina. “Minha médica já orientou que eu tome as doses contra covid, principalmente porque estão aparecendo novos casos. Sempre que tiver uma nova vacina, eu preciso fazer isso. É algo que pode me prejudicar muito.”

O tratamento, segundo alerta Ramos, deve sempre ser priorizado e acompanhado por profissionais com a utilização de medicação inalatória, como a bombinha, citada pelas entrevistadas.

“A asma é uma doença que causa uma inflamação crônica, então a gente vai usar a medicação que tem um efeito anti-inflamatório. Então preferencialmente inalatório, a frequência, a medicação, a forma de usar depende muito do caso, das manifestações, e da intensidade da doença”, explica.

“Algumas outras comorbidades devem ser tratadas também para evitar as crises, dentre elas as principais a rinossinusite, rinite crônica, e o refluxo gastroesofágico”, completa.

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