Segunda-feira, 21 de Setembro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 21 de setembro de 2026
Um mês após a suspensão das transmissões ao vivo no Discord, os pedidos emergenciais da Polícia Civil de São Paulo para derrubada de servidores da plataforma caíram 43%. Segundo levantamento inédito do Núcleo de Observação e Análise Digital (Noad), a média mensal passou de 95 para 54 solicitações.
A medida da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), em vigor desde 17 de agosto, foi adotada após a morte de uma menina de 13 anos em Naviraí (MS) durante uma transmissão ao vivo. O Noad apontava as lives do Discord como um dos principais ambientes para a exibição de atos de violência.
A coordenadora do núcleo, delegada Lisandréa Salvariego Colabuono, afirma que o grupo já prendeu 600 agressores desde sua criação, em novembro de 2024. O trabalho começou após os ataques a escolas registrados em 2023 e identificou, no ambiente digital, discursos de ódio, hierarquias internas e práticas violentas utilizadas como forma de reconhecimento entre integrantes desses grupos.
Segundo a delegada, os autores monitorados pelo Noad são, em sua maioria, meninos de 12 a 21 anos. O perfil inclui jovens com dificuldades de socialização, que encontram aceitação em comunidades virtuais associadas à violência.
Decisão
A decisão da ANPD ocorreu depois de a plataforma adotar, em março, criptografia de ponta a ponta, o que, segundo a agência, dificultou o acesso direto a áudios e vídeos de mensagens, canais de voz e transmissões ao vivo. A empresa recorreu, mas a Superintendência de Fiscalização decidiu manter a suspensão temporária.
A ANPD informou que a reversão da medida permanece condicionada à adoção de mecanismos de segurança para proteger crianças e adolescentes. O recurso apresentado pelo Discord foi encaminhado ao Conselho Diretor da agência, responsável pela decisão administrativa final.
Antes da suspensão, relatórios do Noad apontavam demora no atendimento de solicitações emergenciais. Em uma análise de 80 pedidos de remoção de servidores, o tempo médio para interromper transmissões de crimes em andamento foi de 17 horas. O atendimento mais rápido ocorreu em 3 minutos e 9 segundos, enquanto o mais demorado levou 16 dias.
Os investigadores monitoram plataformas digitais durante todo o dia, com atenção especial às madrugadas, apontadas como período de maior ocorrência dos crimes. De acordo com o Noad, crianças e adolescentes vulneráveis podem ser atraídos por jogos on-line e, posteriormente, submetidos a ameaças, cyberbullying e crimes contra a dignidade sexual.
A Polícia Civil afirma que alguns criminosos ainda conseguem contornar a suspensão por meio de recursos tecnológicos. (Com informações do jornal O Globo)