Terça-feira, 08 de Setembro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 7 de setembro de 2026
O ministro de relações exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, afirmou nessa segunda-feira (7) que não há negociações em curso com os Estados Unidos nem previsão de conversas futuras, e classificou o embargo comercial estadunidense como um bloqueio “genocida”.
“Não há negociações nem agendas, embora permaneça a disposição de manter contato, apesar da falta de avanços”, disse Rodríguez, segundo a Reuters, em uma coletiva em Havana.
Segundo o chanceler, os danos causados pelo embargo comercial, em vigor há décadas, subiram 7% em 2025 na comparação com o ano anterior e chegaram a US$ 8,1 bilhões.
Rodríguez afirmou que o impacto sobre a economia cubana deve crescer nos primeiros meses de 2026, depois que o governo de Donald Trump impôs um bloqueio ao fornecimento de combustíveis à ilha. A medida reduziu drasticamente a geração de energia e provocou apagões que hoje duram dias.
“O bloqueio não pune o governo, pune cada pessoa (na ilha) de todas as formas”, disse o chanceler, segundo a Reuters. “Significa longos meses vivendo com apenas 2 ou 3 horas de eletricidade por dia ou menos, comida estragando, calor que torna impossível dormir, crianças fazendo o dever de casa quase no escuro.”
O Departamento de Estado dos Estados Unidos não respondeu imediatamente a um pedido de comentário da Reuters sobre as declarações.
Os EUA, que consideram o governo cubano uma ameaça à segurança nacional, já haviam declarado anteriormente que o bloqueio e o endurecimento das sanções são necessários para forçar uma mudança no governo comunista, que é acusado pela administração Trump de restringir os direitos econômicos e humanos dos cubanos.
Crise sanitária
A Organização das Nações Unidas (ONU) classificou as sanções e o cerco energético impostos por Trump como uma violação do direito internacional. Em agosto, um grupo de especialistas da ONU alertou para o risco crescente de surtos de doenças na ilha à medida que os Estados Unidos intensificam as sanções.
Na sexta-feira (4), a Embaixada dos Estados Unidos em Havana emitiu um alerta de saúde para Cuba, com advertência sobre o aumento de doenças intestinais e casos de diarreia provocados por problemas no abastecimento de água e energia elétrica.
Moradores de diferentes regiões da ilha vêm relatando há meses quadros de diarreia, febre e dores no corpo. Durante o verão do Caribe, dormir sem ar-condicionado ou ventilador se torna difícil, assim como conservar alimentos sem refrigeração. (As informações são do g1 e Valor Econômico)