Quinta-feira, 14 de Maio de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 14 de maio de 2026
A PF (Polícia Federal) aponta que integrantes da própria corporação, entre eles uma delegada e policiais em atividade e aposentados, atuavam para intimidar desafetos, obter informações sigilosas e monitorar adversários do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Os suspeitos participavam do núcleo chamado de “A Turma”, voltado para a prática de ameaças, intimidações presenciais, coerções, levantamentos clandestinos, obtenção de dados sigilosos e acessos indevidos a sistemas governamentais.
A informação consta na decisão do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), que motivou a sexta fase da Operação Compliance Zero. O pai de Daniel Vorcaro e outros seis investigados foram alvos de mandados de prisão nesta quinta-feira (14).
De acordo com a PF, o grupo liderado por Marilson Roseno da Silva era usado pelo pai de Vorcaro para demandar vantagens ilícitas. Investigadores apontam que ele também era o operador financeiro dos pagamentos.
A defesa de Henrique informou que a prisão se baseia em fatos que, segundo os advogados, ainda não tiveram sua legalidade e justificativa comprovadas no processo.
Entre os integrantes da PF investigados, estão: Sebastião Monteiro Júnior, policial federal aposentado; Anderson Wander da Silva Lima, policial federal da ativa lotado na Superintendência Regional da PF no Rio de Janeiro; Valéria Vieira Pereira da Silva, delegada da PF; e Francisco José Pereira da Silva, policial federal aposentado.
Valéria e Francisco, segundo os investigadores, atuavam no repasse de informações sigilosas para o escrivão aposentado da PF Marilson Roseno a partir de consultas realizadas no sistema e-Pol, plataforma interna utilizada pela corporação.
A decisão do STF que autorizou a operação policial desta quinta também cita Manoel Mendes Rodrigues, apresentado como “empresário do jogo” no Rio de Janeiro e apontado como líder de um braço local do grupo.
Para a PF, o conjunto de condutas aponta para uma infiltração do grupo em “circuitos informacionais sensíveis”, com uso de pessoas próximas ou funcionalmente habilitadas para facilitar a circulação de recursos financeiros e de dados sigilosos em benefício da organização criminosa.
Investigadores apontam que o segundo grupo, chamado “Os Meninos”, teria perfil eminentemente tecnológico e seria voltado para a prática de ataques cibernéticos, invasões telemáticas, derrubada de perfis e monitoramento telefônico ilegal.
Segundo a PF, ambos eram, à época dos fatos, gerenciados por Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, que era chamado pelo apelido de “Sicário” e que tinha como objetivo atender a comandos do “núcleo central da organização criminosa”.