Quinta-feira, 18 de Junho de 2026

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Outro dia acompanhei uma discussão nas redes sociais sobre economia. Em poucos minutos surgiram especialistas para todos os temas imagináveis. Havia soluções simples para o crescimento do País, para a inflação, para a dívida pública e até para os problemas da educação. O que mais chamou minha atenção não foi a quantidade de opiniões, mas a convicção com que eram apresentadas. Curiosamente, quanto mais simples a explicação, maior parecia ser a certeza de quem a defendia.

Essa é uma característica marcante do nosso tempo. Nunca foi tão fácil emitir opiniões, criticar decisões ou apontar caminhos. As redes sociais democratizaram a voz das pessoas, o que trouxe benefícios importantes para o debate público. Mas também ampliaram um fenômeno curioso: muitas vezes, os que demonstram maior confiança são justamente os que menos compreendem a complexidade dos problemas que analisam.

Quem passou muitos anos trabalhando em empresas, organizações ou governos aprende uma lição valiosa. As pessoas mais preparadas raramente são as mais categóricas. Ao contrário, costumam ser mais cautelosas em suas conclusões. Com o tempo, descobri que existe uma explicação para isso.

Os psicólogos David Dunning e Justin Kruger identificaram um padrão bastante interessante. Pessoas com pouco conhecimento sobre determinado assunto tendem a superestimar suas capacidades. Já aquelas que realmente dominam um tema costumam reconhecer suas próprias limitações. A razão é simples: quem sabe pouco muitas vezes não possui conhecimento suficiente para perceber o quanto ainda desconhece. Quem estudou profundamente um assunto, por outro lado, conhece suas nuances, dificuldades e incertezas.

Esse fenômeno tornou-se particularmente visível nos últimos anos. Durante a pandemia, por exemplo, milhões de pessoas passaram a opinar com absoluta convicção sobre epidemiologia, vacinas e políticas públicas sem qualquer formação na área. O mesmo ocorre diariamente quando discutimos economia, segurança pública, inteligência artificial ou gestão empresarial. Quanto mais complexo é o tema, maior parece ser a tentação de reduzi-lo a respostas rápidas e definitivas.

Depois de décadas convivendo com empresários, executivos, produtores rurais, banqueiros e gestores públicos, percebi algo que se repete com frequência. Os melhores profissionais raramente chegam a uma reunião acreditando possuir todas as respostas. Em geral, fazem perguntas. Procuram compreender as restrições, avaliar riscos, ouvir diferentes pontos de vista e entender as consequências de cada decisão antes de agir.

Isso possivelmente ocorre porque a experiência ensina que problemas complexos quase nunca possuem soluções simples. Existe sempre uma variável não considerada, uma consequência inesperada ou uma limitação que não aparece à primeira vista.

Essa diferença de percepção produz comportamentos muito distintos. Existe quem observe um problema e imediatamente encontre culpados, erros e soluções aparentemente óbvias. E existe quem procure entender por que aquele problema ainda não foi resolvido. A diferença parece pequena, mas é enorme. O primeiro busca demonstrar que tem razão. O segundo tenta encontrar uma solução.

Existe também uma diferença fundamental entre quem observa e quem executa. O observador tem o privilégio da simplicidade. Já quem precisa implementar decisões convive diariamente com restrições orçamentárias, limitações legais, conflitos de interesse, resistência das pessoas e riscos operacionais. Opinar é relativamente fácil. Executar sempre foi a parte difícil.

O progresso raramente nasce da crítica isolada. Ele surge quando a capacidade de análise é acompanhada pela disposição de construir. Isso não significa que a crítica seja desnecessária. Pelo contrário. A crítica é uma ferramenta essencial de aperfeiçoamento. O problema surge quando ela se transforma em um fim em si mesma. A crítica construtiva amplia a compreensão dos problemas. A crítica destrutiva busca apenas exposição, aplauso ou superioridade moral.

edson bundchen

* Edson Bündchen

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